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Uma associação internacional de imprensa acusou nesse sábado (28/3) o Exército israelense de impedir violentamente o trabalho de uma equipe da emissora CNN na Cisjordânia, território palestino sob ocupação de Israel.

O caso teria ocorrido na quinta-feira (26/3), segundo o correspondente da CNN em Jerusalém, Jeremy Diamond. Ele relatou agressões ao fotojornalista Cyril Theophilos e a detenção de seus colegas.

A equipe queria documentar as consequências de um ataque de colonos israelenses e o estabelecimento de um posto avançado ilegal na Cisjordânia quando foram detidos à força. A CNN publicou um vídeo do incidente.

Diamond disse que a “detenção de duas horas revelou muito sobre as motivações desses soldados israelenses: agir a serviço do movimento dos colonos”.

A Foreign Press Association (FPA) afirmou que o incidente “não foi um mal-entendido”, e sim um “ataque violento contra jornalistas claramente identificados e um ataque direto à liberdade de imprensa”.

Segundo a entidade, os soldados tentaram impedir as filmagens e ameaçaram confiscar a câmera. Momentos depois, “um soldado das Forças de Defesa de Israel se aproximou do fotojornalista da CNN por trás, colocou-o em um mata-leão, jogou-o no chão e danificou sua câmera”.

“Apontar rifles para jornalistas e civis, agredir fisicamente um câmera e deter uma equipe são ações que ultrapassam todos os limites”, declaração a associação, que representa a mídia internacional que trabalha em Israel e nos Territórios Palestinos.

É o segundo incidente do tipo envolvendo a CNN só no mês de março. Dias antes, um produtor da emissora teve o pulso fraturado após um “ataque gratuito” por policiais israelenses.

O caso aconteceu enquanto jornalistas registravam fiéis muçulmanos que rezavam fora das muralhas da cidade antiga de Jerusalém, durante o mês sagrado do Ramadã, após terem o acesso à mesquita negado por forças de segurança israelenses.

Exército israelense diz que apura o caso

Nadav Shoshani, porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), disse que o comportamento dos soldados “não representa as IDF, vai contra o que se espera dos soldados das IDF e será investigado”.

“Pedi desculpas em privado, e direi novamente: isso não deveria ter acontecido”, acrescentou Shoshani.

Israel tomou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental em 1967. Cerca de 700 mil colonos israelenses vivem hoje nesses territórios, ao lado de 3 milhões de palestinos. Os palestinos reivindicam essas áreas para seu próprio Estado, com Jerusalém Oriental como capital.

A violência de colonos extremistas contra palestinos aumentou significativamente desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023. As forças de segurança israelenses têm sido repetidamente acusadas de não agir de forma decisiva contra tais incidentes ou até mesmo de apoiar colonos agressivos.

Com informações do Metrópoles.

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