
Uma dívida de R$ 16 mil com agiotas e a negativa de uma das vítimas em entregar mais dinheiro teriam desencadeado o ataque que terminou com três pessoas mortas e uma mulher gravemente ferida no bairro São Jorge, zona oeste de Manaus. A versão foi apresentada à Polícia Civil por Ezenilson Silva de Souza, de 43 anos, preso e apontado como autor do crime.
Na noite desta segunda-feira (17), o delegado Ricardo Cunha, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), revelou uma prévia do depoimento do suspeito. Segundo ele, Ezenilson confessou os homicídios e descreveu aos investigadores a dinâmica do ataque.
As vítimas são o pastor Francisco das Chagas Moraes, de 67 anos, Isabela Coelho Moraes, de 29 anos, e Guilherme Pereira Lima Filho Lettes, de 66 anos, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Dilma Cilene Lima Sampaio, que também estava na residência, sobreviveu e permanece internada em estado grave no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio.
Suspeito diz que devia R$ 16 mil a agiotas
De acordo com Ricardo Cunha, Ezenilson afirmou que uma das vítimas era seu ex-genro e o ajudava financeiramente. Conforme o relato prestado à polícia, essa vítima seria o pastor Francisco.
“Ele tá bem colaborativo. Ele tá ciente da gravidade desse delito. Ele já falou pra gente toda a dinâmica ali do crime. Mas o que levou de fato a esta tragédia é que uma das vítimas era genro, ex-genro dele”, afirmou o delegado.
Ainda segundo Cunha, o suspeito contou que procurou novamente o pastor porque enfrentava uma dívida com agiotas.
“Essa pessoa, que era um pastor, o ajudava financeiramente. E neste dia ele foi lá novamente pedir dinheiro porque ele estava devendo R$ 16 mil para agiotas”, relatou o delegado.
A negativa em entregar mais dinheiro teria provocado um desentendimento.
Polícia diz que primeiro assassinato ocorreu no quarto
Segundo a versão apresentada pelo suspeito aos investigadores, ele teria entrado sorrateiramente na residência enquanto os moradores dormiam.
Ao procurar Francisco e não conseguir o dinheiro, os dois teriam discutido. Ezenilson, então, teria atacado o pastor dentro do quarto.
“Chegando lá, ele, esse pastor, teve um desentendimento porque esse pastor não quis lhe dar mais dinheiro. E, segundo ele, ele perdeu a cabeça e matou esse pastor ainda dentro do seu próprio quarto”, disse Ricardo Cunha.
O delegado acrescentou que, conforme a confissão, as demais vítimas foram atacadas após acordarem durante a ação.
“Ele entrou sorrateiramente ali no ambiente, e os outros foram consequências de estarem acordando. Tava todo mundo dormindo no horário que ele entrou nessa casa”, declarou.
A Polícia Civil deverá apresentar mais detalhes sobre a sequência dos crimes e a motivação durante coletiva.
Martelo teria sido usado nos crimes
Outra informação revelada pelo titular da DEHS é que um martelo teria sido utilizado durante o ataque.
Questionado sobre a arma empregada, Ricardo Cunha confirmou a informação.
“Foi, foi um martelo. Ele já se desfez desse martelo, jogou lá no igarapé ali próximo ao local do crime”, afirmou.
A localização do objeto e os demais elementos da confissão deverão ser confrontados com os vestígios coletados pela perícia para esclarecer integralmente a dinâmica do crime.
Suspeito voltou à casa acompanhado pela polícia
Após ser preso, Ezenilson foi levado por policiais da DEHS novamente à residência onde ocorreram as mortes para auxiliar no esclarecimento da dinâmica do ataque.
A presença dele provocou revolta entre moradores e populares que se concentraram diante do imóvel e passaram a gritar por “justiça”.
Diante da movimentação, foi necessário reforço policial para retirar o suspeito do local. Equipes da Força Tática auxiliaram na escolta até a sede da DEHS.
Em contato com jornalistas depois da captura, Ezenilson chegou a afirmar que estava arrependido. Ao ser questionado por um repórter sobre a “monstruosidade” do crime, porém, respondeu: “Quem tá dizendo isso é você”.
Professor da Ufam está entre as vítimas
Entre os mortos está Guilherme Pereira Lima Filho Lettes, professor ligado à Universidade Federal do Amazonas.
Também foram mortos Francisco das Chagas Moraes e sua filha, Isabela Coelho Moraes. Os corpos foram encontrados em diferentes cômodos da residência.
Dilma Cilene Lima Sampaio foi encontrada com vida e socorrida. Conforme as informações disponíveis, ela permanece internada em estado grave no Hospital João Lúcio.
O imóvel foi isolado para o trabalho do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) e da equipe da DEHS. Vestígios e outros elementos foram recolhidos para auxiliar na reconstrução do ataque.
Polícia vai aprofundar motivação
Embora Ezenilson tenha confessado o crime e apresentado uma versão para a motivação, a investigação continua. A Polícia Civil deverá confrontar o depoimento do suspeito com provas periciais, testemunhos e outros elementos reunidos no inquérito.
Ricardo Cunha informou que uma coletiva será realizada para apresentar detalhes adicionais do caso.
“Amanhã vai haver uma coletiva e aí nós vamos falar com mais riqueza de detalhes sobre todo o ocorrido”, afirmou.
Ezenilson permanece à disposição da Justiça. A DEHS continua apurando as circunstâncias do triplo homicídio, a relação entre o suspeito e cada uma das vítimas e todos os acontecimentos que antecederam o ataque.







