Se chegar a uma final de campeonato legitima o planejamento de qualquer comissão técnica, repetir o feito duas vezes em um intervalo de menos de um ano comprova o êxito do trabalho. É com esse retrospecto que o técnico Carlos Daniel comanda o São Raimundo na grande decisão do Campeonato Amazonense Feminino Sub-20, nesta segunda-feira (6), às 15h, no Estádio Ismael Benigno, a Colina, contra o Tarumã.

O feito de Carlos Daniel chama atenção pelo comando de equipes e categorias diferentes. Em setembro do ano passado, no Estadual Profissional, o treinador comandou a campanha do Penarol, de Itacoatiara (distante 275 quilômetros de Manaus), avançando invicto na primeira fase com cinco vitórias em cinco jogos, parando apenas na final diante do 3B. Menos de dez meses depois, agora na capital e trabalhando com a base, ele defende das cores do São Raimundo em mais uma finalíssima.

Para o comandante, a regularidade em cenários tão distintos está ligada diretamente à metodologia de gestão humana do elenco.

“Acredito que essa consistência é uma consequência da forma como procuro enxergar o futebol, especialmente a categoria feminina. Antes de formar atletas, eu priorizo sempre formar as mulheres, pessoas que estejam preparadas para lidar com os desafios dentro e, principalmente, fora de campo. Quando elas se sentem respeitadas, acolhidas e valorizadas, conseguem desenvolver todo o potencial que têm. As finais acabam sendo uma consequência desse trabalho diário”, afirma Carlos Daniel.

Aprendizado e controle emocional

A dolorosa derrota na decisão do ano passado trouxe experiência e maturidade para o técnico superar desafios e aplicar conhecimento no vestiário do Sub-20 do Tufão da Colina. Para o duelo de jogo único nesta segunda-feira, blindar o elenco da ansiedade tem sido o foco principal do trabalho.

“Em uma final, com a ansiedade lá em cima, os detalhes sempre vão fazer a diferença, e toda decisão deixa um ensinamento. A primeira final que disputei reforçou algo em que acredito muito: o processo é mais importante do que um jogo isolado. Por isso, a nossa preocupação neste momento é fazer com que as atletas consigam viver essa decisão com confiança e tranquilidade, sem tirar delas a alegria de jogar. O título é importante, lógico, e nós queremos muito conquistá-lo, mas acredito que o maior legado é contribuir para a formação dessas meninas”, pontua o treinador.

Calendário desafiador e o respeito ao adversário

O desafio do São Raimundo ganha contornos ainda mais intensos devido ao calendário. O clube vem dividindo as atenções do Estadual Sub-20 com a disputa do Campeonato Brasileiro Sub-17. Do outro lado da decisão estará o Tarumã, atual campeão da categoria. Carlos Daniel joga o favoritismo para as adversárias, mas confia na leveza de seu time.

“O Tarumã merece muito respeito pelo trabalho que vem fazendo. Elas são as atuais campeãs e entram com favoritismo. Também estamos enfrentando o desafio de conciliar duas competições ao mesmo tempo, o Brasileiro Sub-17 e o Estadual Sub-20, mas buscamos preparar a equipe não apenas tática e fisicamente, mas também pelo lado emocional. Nossa meta é que as atletas entrem em campo leves, confiantes e conscientes de tudo o que construímos. Quando elas conseguem jogar felizes e seguras, o desempenho aparece naturalmente”, finaliza.

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