
Os temporais que atingem o Rio Grande do Sul já causaram estragos em pelo menos 128 municípios, segundo o mais recente balanço divulgado pela Defesa Civil Estadual. As fortes chuvas, acompanhadas de granizo, rajadas de vento e alagamentos, deixaram centenas de pessoas fora de casa e provocaram danos em mais de 1.500 residências em diferentes regiões do estado.
De acordo com o levantamento, 779 pessoas estão desabrigadas, enquanto outras 297 precisaram deixar temporariamente suas casas e estão na condição de desalojadas. As equipes da Defesa Civil seguem contabilizando os prejuízos, o que pode elevar os números nas próximas atualizações.
Entre os municípios mais afetados está Osório, onde cerca de 350 residências sofreram danos parciais. Em Santo Antônio das Missões, aproximadamente 400 imóveis foram atingidos pelos temporais. Já em Não-Me-Toque, foram registradas 200 casas danificadas e 30 pessoas desalojadas.
O município de Rolante também enfrenta uma situação delicada. Além de contabilizar cinco desabrigados e seis desalojados, a cidade registra prejuízos em vias públicas, residências e propriedades rurais. Deslizamentos de terra provocados pelo excesso de chuva bloquearam estradas vicinais, dificultando o acesso de moradores e o trabalho das equipes de emergência.
As autoridades mantêm atenção especial ao risco de novas inundações, principalmente na região do Vale do Taquari. Em Lajeado, o Rio Taquari continua apresentando elevação significativa. Na quarta-feira (29), o nível do rio chegou a 22,59 metros, aumentando 37 centímetros em apenas uma hora, conforme monitoramento da Agência Nacional de Águas (ANA).
Como medida preventiva, a Defesa Civil iniciou a retirada de moradores de áreas consideradas de risco, já que há preocupação de que o rio atinja a cota de inundação de 24 metros caso as chuvas persistam nos próximos dias.
Outros municípios também registraram grandes volumes de precipitação. Em Rolante, o acumulado chegou a 113 milímetros, enquanto São Francisco de Paula registrou 168 milímetros. O excesso de chuva elevou o nível do Arroio Areia e contribuiu para novos alagamentos e transtornos na região.
Os impactos também são sentidos nos abrigos destinados às famílias afetadas. Segundo o último balanço, o espaço instalado no Parque do Imigrante acolhe atualmente 98 famílias, totalizando 270 pessoas. Muitas delas já haviam sido atingidas pelas enchentes históricas registradas no estado em 2023 e 2024.
A prefeitura informou que mantém ações conjuntas com os governos federal e estadual, além do Ministério Público, para ampliar o atendimento às famílias que perderam suas moradias. Pelo programa federal Compra Assistida, 201 famílias já foram contempladas para adquirir novos imóveis, enquanto outras três aguardam a conclusão dos procedimentos administrativos.
Além da compra de imóveis, aproximadamente 400 novas moradias estão em construção, com previsão de entrega para janeiro de 2027. Enquanto as residências não ficam prontas, cerca de 100 famílias recebem auxílio por meio do programa de aluguel social custeado pelo município.
Equipes da Defesa Civil, dos municípios e de outros órgãos públicos permanecem mobilizadas nas áreas atingidas. Os trabalhos incluem o monitoramento dos rios, o levantamento dos prejuízos, a remoção de árvores caídas, a desobstrução de rodovias e estradas vicinais, além da recuperação dos acessos às comunidades isoladas pelas fortes chuvas.







