Reprodução/Redes Sociais

O terreiro Nzo Mutá Lombô ya Kayongo, de tradição Banto, foi alvo de um ataque marcado pela intolerância religiosa no último sábado (17/1), em Salvador (BA). Localizado no bairro de Cajazeiras XI, o espaço amanheceu com pichações ofensivas em sua entrada, na rua Geraldo Brasil, além de danos ao porteiro eletrônico.

As paredes do terreiro foram pichadas com as palavras “assassinos” e “Jesus”, enquanto o equipamento de acesso ao local foi vandalizado e coberto de tinta.

O Nzo Mutá Lombô ya Kayongo pertence à Nação Angolão Paquetan Malembá e é um dos mais antigos da linhagem de Mariquinha Lembá, estando estabelecido no território há 33 anos, com atuação comunitária contínua.

Segundo o sacerdote Taata Mutá Imê, responsável pelo terreiro, nunca houve conflitos com a vizinhança ou com outros grupos religiosos ao longo dessas mais de três décadas. Para ele, o ataque representa uma agressão direta às religiões de matriz africana e ao povo negro.

O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin) na tarde da última segunda-feira (19/1). Até o momento, os responsáveis pelo crime não foram identificados.

Racismo religioso e injúria racial são crimes previstos na Lei nº 7.716/1989 e, desde 2023, estão equiparados ao crime de racismo.

“Essas marcas representam uma agressão direta à liberdade religiosa, às religiões de matriz africana e ao povo negro”, afirmou Taata Mutá Imê.

Apesar da violência, o sacerdote destacou que a comunidade não pretende recuar. “A resposta será feita por meio da mobilização coletiva, da denúncia e da luta por justiça”, disse.

Como forma de resistência, o terreiro anunciou a realização de uma “lavagem da sujeira”, que será feita de maneira coletiva por integrantes da comunidade e simpatizantes.

A data da atividade ainda será divulgada.

Em nota de repúdio, o Nzo Mutá Lombô ya Kayongo classificou o episódio como um ataque direto à liberdade de crença, ao direito constitucional de culto e à dignidade das religiões de matriz africana. O texto cobra a identificação e punição dos responsáveis e ressalta que a fé da comunidade não será silenciada.

“Nossa fé resiste. Nosso sagrado não será silenciado. Buscaremos por justiça”, conclui a nota.

Com informações de Metrópoles.

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