
As recentes movimentações do vice-governador Tadeu de Souza reforçam a leitura, cada vez mais presente nos bastidores da política amazonense, de que ele não apenas assumirá o comando do Estado em abril, como também entrará de vez na disputa pela reeleição em 2026 — cenário que pode colocá-lo frente a frente com o prefeito de Manaus, David Almeida.
Tadeu deve ocupar a cadeira de governador no próximo dia 4 de abril, prazo-limite para eventual renúncia de Wilson Lima, que avalia concorrer ao Senado. Paralelamente a esse calendário institucional, o vice tem ampliado sua presença em agendas públicas e culturais, sinalizando protagonismo político.
Neste domingo (8), Tadeu participou do ensaio técnico de rua da escola de samba Reino Unido da Liberdade, na Zona Sul da capital. Em publicação nas redes sociais, destacou sua ligação pessoal com o samba e reforçou o discurso de valorização da cultura popular, associando o Carnaval ao fortalecimento da economia criativa.
A aparição, aparentemente cultural, foi lida por interlocutores políticos como mais um movimento calculado de aproximação com bases populares, num momento em que o vice-governador começa a se posicionar como potencial cabeça de chapa.
Saída do Avante e novo caminho partidário
Outro sinal considerado decisivo é a iminente saída de Tadeu do Avante, partido comandado em Manaus por David Almeida. O destino partidário ainda é mantido sob reserva, mas a mudança é vista como passo obrigatório para viabilizar um projeto eleitoral próprio.
Tadeu chegou a dialogar com o União Brasil, legenda de Wilson Lima, mas as conversas não avançaram. A troca de sigla é interpretada como indicativo claro de que o vice-governador pretende disputar a reeleição ao Executivo estadual.
Caso confirme a candidatura, Tadeu deve enfrentar um tabuleiro competitivo, que inclui o senador Omar Aziz, a pré-candidata Maria do Carmo Seffair e o próprio David Almeida, lançado oficialmente como pré-candidato na última sexta-feira (6), durante solenidade que marcou a posse de Sabá Reis na presidência estadual do PDT.
Bastidores apontam novo embate político
Nos círculos políticos, a avaliação é de que Tadeu já atua como pré-candidato em construção, equilibrando discurso institucional com gestos de aproximação popular. A leitura predominante é que o vice-governador busca se descolar da imagem de coadjuvante e construir identidade própria, mirando o eleitorado da capital e do interior.
Se confirmada a saída de Wilson Lima e a posse de Tadeu em abril, o Amazonas pode entrar em um novo ciclo político, marcado por um embate direto entre antigos aliados e pela antecipação da disputa pelo Palácio do Governo.







