Vinícius Schmidt/Metrópoles

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a eleição para o mandato-tampão ao governo do Rio de Janeiro, após a renúncia de Cláudio Castro (PL) nessa segunda-feira (23/3), será indireta. A saída do governo ocorreu às vésperas do julgamento em que ele acabou condenado por abuso de poder político e econômico. A informação foi confirmada ao Metrópoles.

O ex-governador está inelegível até 2030 por abuso de poder político e econômico durante a campanha de 2022. O placar do julgamento, realizado nessa terça (24/3), ficou em 5 a 2 — os únicos a divergir foram os ministros Nunes Marques e André Mendonça.

Na certidão do julgamento, o TSE afirmou que “por maioria, considerou prejudicada a cassação do diploma de governador de Cláudio Bomfim de Castro e Silva após renúncia”.

Com isso, a eleição indireta será feita pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF) estabelecem que os estados podem definir as regras dos pleitos nas situações em que há “dupla vacância” por “razão não eleitoral”. As regras para o pleito, entretanto, seguem em análise pela Corte em plenário virtual.

O texto aprovado pelo legislativo do Rio previa voto aberto pelos deputados estaduais, com prazo de desincompatibilização de 24 horas após a renúncia de Castro. Na última quinta-feira (18/3), entretanto, o ministro Luiz Fux determinou em liminar que a eleição indireta terá que ocorrer com voto secreto e com prazo de desincompatibilização de seis meses antes do pleito, como nas eleições gerais.

Situação inédita no Rio

A saída de Castro do governo criou uma situação inédita na linha sucessória do estado. O ex-governador já estava sem vice desde fevereiro de 2024, quando Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ).

O terceiro na ordem de sucessão seria o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), que foi afastado do cargo pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito de uma investigação por obstrução de Justiça, após suspeita de vazamento de informações sigilosas para favorecer a facção Comando Vermelho.

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