
A terça-feira (31) entra para a história recente da política amazonense como o dia em que David Almeida decidiu, oficialmente, virar a chave da Prefeitura para disputar voos maiores. A renúncia, seguida da transmissão de cargo ao vice Renato Junior, não é apenas um ato administrativo previsto na Lei Orgânica — é, sobretudo, um movimento político calculado.
David deixa o comando da capital com um discurso de legado e parte para um novo ciclo mirando o Governo do Amazonas. O evento no Studio 5, no mesmo dia, sela essa transição: sai o gestor municipal e entra em campo o pré-candidato estadual. A pergunta que fica nos bastidores é direta — o capital político construído em Manaus será suficiente para enfrentar nomes já consolidados na disputa de 2026?
O fenômeno “Robertão” e a política digital raiz
Enquanto a velha política ainda tenta entender o alcance das redes sociais, um personagem começa a chamar atenção nos bastidores: Robertão, pai do presidente da Aleam, Roberto Cidade. Com mais de 3,5 milhões de visualizações em apenas um mês, ele surfa numa onda que mistura carisma, linguagem popular e identificação regional.
Sem roteiro engessado e com discurso direto, Robertão encarna o “caboco raiz” que conversa com o povo sem filtro — algo que muitos políticos profissionais perderam ao longo do tempo. Mais do que números, o que cresce ali é um ativo político: engajamento orgânico. Se transformar isso em voto, pode deixar de ser coadjuvante e virar peça relevante no jogo eleitoral.
Fé, política e dinheiro: o apelo de Malafaia
O pastor Silas Malafaia voltou ao centro das atenções ao pedir contribuições para a compra de um novo avião. A justificativa — de que a aeronave é “ferramenta de trabalho” — reforça um modelo já conhecido de mobilização de fiéis em torno de projetos institucionais.
O episódio reacende um debate antigo: até onde vai a contribuição religiosa e onde começa a estrutura de poder e influência? Em um país onde fé e política caminham lado a lado, movimentos como esse não são apenas financeiros — são também demonstrações de força e alcance.
União Brasil se reorganiza de olho em 2026
A confirmação do nome de Patrícia Lopes como pré-candidata a deputada federal mostra que o União Brasil começa a montar seu tabuleiro para 2026 com foco em nomes testados nas urnas.
A ex-prefeita entra na disputa com o respaldo direto do governador Wilson Lima, o que sinaliza alinhamento interno e tentativa de fortalecer a chapa proporcional. Mais do que uma candidatura, o movimento indica que o partido quer manter protagonismo não apenas no Executivo, mas também na bancada federal.
Proteção à infância avança na Câmara
Em meio ao turbilhão político, uma pauta sensível ganhou espaço na Câmara Municipal de Manaus. O projeto da vereadora Yomara Lins, que cria o programa “SOS Criança”, avança com proposta de facilitar denúncias e ampliar a rede de proteção a vítimas de violência.
A iniciativa é simples na forma, mas potente no impacto: criar um sinal de alerta que permita identificar e socorrer crianças em situação de risco. Em um cenário onde a violência contra menores ainda é subnotificada, mecanismos como esse podem representar a diferença entre o silêncio e o socorro.
Alberto Neto intensifica pré-campanha no interior
De olho em 2026, o deputado federal Capitão Alberto Neto segue consolidando sua pré-candidatura ao Senado com agendas estratégicas no interior. Em Tefé, apostou na combinação clássica: prestação de contas, presença popular e demonstração de força política.
Ao destacar recursos enviados ao município, especialmente para saúde e iluminação, Alberto reforça uma narrativa essencial para quem busca o Senado — a de que entrega resultados concretos. No interior, onde a memória do eleitor está diretamente ligada a obras e investimentos, esse tipo de agenda costuma ter peso.
MDB relembra passado para sustentar o presente
Os 60 anos do MDB serviram de pano de fundo para um discurso carregado de simbolismo na Câmara de Manaus. O vereador Luiz Mitoso destacou o papel histórico da sigla na redemocratização, mas também fez questão de ancorar o presente no nome do senador Eduardo Braga.
A mensagem é clara: o MDB busca se manter relevante olhando para trás, mas sustentando sua força atual em lideranças que ainda têm peso nacional. Em um cenário fragmentado, tradição pode ser ativo — desde que acompanhada de articulação.







