
Ao fazer um balanço de sua atuação em 2025, o senador Eduardo Braga constrói uma narrativa clara: a de quem não aceita que o Amazonas seja tratado como figurante no tabuleiro nacional. Em um Senado onde os interesses do Sul e Sudeste costumam ditar o ritmo, Braga reforça que ocupar espaços de decisão exige mais do que presença simbólica — exige autoridade política. A relatoria da Reforma Tributária foi o ponto alto desse protagonismo, sobretudo pela blindagem da Zona Franca de Manaus até 2073, garantindo segurança jurídica ao principal modelo econômico do estado. Houve pressão, houve críticas e houve enfrentamento, mas o senador sustenta que recuar significaria abrir mão do dever de representar o Amazonas com firmeza. O discurso de fim de ano já aponta para 2026: quem esperava um Braga mais discreto, se enganou.
Entre Brasília e os bairros
Eleito deputado federal em 2023, Saullo Vianna atravessou 2025 em uma espécie de teste de resistência política. À frente da Secretaria Municipal da Mulher, Ação Social e Cidadania, assumiu uma pasta sensível, em uma Manaus marcada por desigualdades históricas. Ao mesmo tempo, não abandonou o mandato parlamentar, mantendo articulações em Brasília e cuidando do destino de suas emendas. Nos bastidores, aliados avaliam que a chamada “jornada dupla” serviu para ampliar sua visibilidade e consolidar trânsito político tanto na capital quanto no interior. O saldo, segundo o próprio Vianna, está nas entregas — e o discurso indica que ele pretende capitalizar politicamente esse esforço.
Mandato de números e cobrança
No Legislativo municipal, o vereador Paulo Tyrone optou por fechar o primeiro ano de mandato com números sobre a mesa. O balanço divulgado revela uma atuação focada na produção legislativa e na cobrança direta por serviços públicos. Foram 23 projetos de lei apresentados, com ênfase em pautas como Transtorno do Espectro Autista, defesa do consumidor, empreendedorismo e mobilidade urbana. Além disso, quase 900 pedidos de serviços protocolados indicam um mandato voltado para a escuta das demandas dos bairros. Tyrone sinaliza que pretende se firmar como vereador de base, daqueles que transformam reclamação popular em pressão institucional.
Licença sem silêncio
Mesmo licenciada da Assembleia Legislativa, a deputada estadual Joana Darc fez questão de reafirmar sua identidade política nas redes sociais. Ao declarar que “deixou sua marca” na Casa do Povo, Joana reforça que sua atuação não se limita à presença física no plenário. A defesa da causa animal e das pautas sociais segue como eixo central de sua imagem pública. A mensagem é direta: 2025 termina, mas 2026 começa com disposição para manter protagonismo e militância ativa, dentro ou fora da Aleam.
PAD em compasso de espera
No Conselho Nacional do Ministério Público, o Processo Administrativo Disciplinar contra o promotor Walber Luís Silva do Nascimento entrou em modo de suspensão. O relator, conselheiro Jaime de Cassio Miranda, votou pelo arquivamento sob o argumento de que não há mais interesse jurídico, já que o promotor está aposentado. O pedido de vista do conselheiro Gustavo Sabóia, porém, adiou a conclusão do caso para 2026. O episódio segue cercado de controvérsia, sobretudo pelo conteúdo da acusação — ofensas a uma advogada em sessão do Tribunal do Júri — e pela discussão sobre os limites da responsabilização mesmo após a aposentadoria.
Defensoria e o desafio das distâncias
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas fechou o ano com um dado que merece atenção: mais de 20 mil atendimentos virtuais realizados pelo Núcleo de Apoio ao Interior e Capital (Naic) em apenas dois meses de funcionamento. Em um estado onde a geografia sempre foi obstáculo ao acesso à Justiça, a centralização de serviços e o atendimento remoto surgem como resposta concreta — e estratégica. O Naic não resolve todos os gargalos, mas sinaliza uma mudança de lógica: levar a Defensoria até o cidadão, mesmo quando o cidadão está a dias de viagem da capital.







