Por Luís Lemos, professor, filósofo e escritor

Neste segundo episódio do projeto Vozes da Literatura de Manaus – VLM, de 2026, seguimos dando espaço às trajetórias, às ideias e às palavras de autores que constroem, diariamente, a identidade literária da nossa cidade. Convidamos leitoras e leitores a acompanhar esta entrevista com Pedro Lucas Lindoso e a seguir conosco nos próximos encontros, em que outras vozes, estilos e histórias continuarão a revelar a riqueza e a diversidade da produção literária amazonense.

VLM – Quem é Pedro Lucas Lindoso?
Nasci em Manaus em 13 de maio de 1957. Sou advogado e licenciado em Letras pela Universidade de Brasília (UnB), fluente em inglês, francês e italiano. Atuei no Banco Nacional de Crédito Cooperativo, no Ministério da Justiça e como procurador-geral da EMBRATUR. Ingressei por concurso na PETROBRAS, onde me aposentei como advogado master. Sou membro do IGHA, da ASSEAM, da ALCEAR, da Academia Amazonense Maçônica de Letras e da ACLJA, e, desde 2025, ocupo a cadeira 25 da Academia Amazonense de Letras.

VLM – O que o inspirou a se tornar escritor?
Sempre gostei de escrever, embora por muito tempo tenha priorizado o Direito por necessidade profissional. Aos 11 anos, ganhei um concurso literário em Brasília com o conto O aniversário de Emília, o que marcou meu primeiro estímulo. Durante o curso de Letras, escrevi contos em inglês. Na PETROBRAS, participei de concursos internos de literatura, nos quais fui premiado algumas vezes. Meus textos passaram a ser publicados no Jornal do Comércio, o que me levou a atuar como cronista do jornal.

VLM – Quantos livros você já publicou e quais são eles?
Publiquei seis livros: O Princípio da Informação Ambiental e a Segurança da Informação Empresarial (Paco Editorial); o romance Oremos pela guerra – Manaus de Chopin e Mussolini (All Print); as obras infantis O boto cor-de-rosa e o jacaré do rabo cotó, A visita dos botos vermelhos às Anavilhanas (Editora Sejamos Luz) e Aconteceu em Cucuí (Editora Palavra da Terra); além dos livros de crônicas Uma amazonense em Copacabana (All Print) e Crônicas da Pandemia (Editora Palavra da Terra). Participei de diversas antologias e publiquei artigos em revistas do IGHA e da Universidade do Distrito Federal. Sou cronista semanal do Jornal do Commercio, em Manaus.

VLM – Como você se define no campo literário? Considera-se mais contista, poeta ou romancista, ou transita por diferentes gêneros?
Defino-me principalmente como cronista. Meu gênero preferido é a crônica, esse gênero tão brasileiro quanto tucumã, pupunha e jaboticaba. Tenho alguns poucos poemas e, recentemente, participei de uma oficina de haicais, onde produzi alguns textos. Mas isso é mais por curiosidade e ousadia. Fazer poesia é difícil. Sou, essencialmente, da prosa.

VLM – De que forma a literatura de Manaus e a cultura local influenciam sua escrita?
Nasci em Manaus e sempre mantive uma forte ligação com a cidade, mesmo tendo vivido 35 anos em Brasília. A cultura amazonense esteve sempre presente em casa, na comida, nos jornais e nas histórias de família. Cresci ouvindo relatos sobre o interior, os rios e o povo da região, especialmente por influência do meu pai, que nasceu em um seringal no Rio Madeira. Essas vivências moldaram meu olhar e minha escrita, que carregam a memória, os afetos e a identidade amazônica.

VLM – Quais desafios você enxerga para quem produz literatura em Manaus hoje?
Acredito que os escritores amazonenses deveriam ser mais valorizados e apoiados pelo poder público, tanto municipal quanto estadual. Existem editais e concursos, é verdade, mas precisamos estar mais presentes nas escolas e nas bibliotecas públicas, formando leitores e criando vínculos duradouros com a comunidade.

VLM – Que mensagem você deseja transmitir aos leitores por meio de seus livros?
Nos livros infantis, procuro contribuir para a formação de leitores. Ler é prazeroso, mas é preciso criar o hábito. A leitura é como ginástica: aprende-se a gostar praticando. Também busco transmitir valores e aspectos da nossa rica cultura, ajudando a formar cidadãos mais sensíveis, críticos e conscientes.

VLM – Deixe uma mensagem às leitoras e leitores do Único.
Agradeço sinceramente às leitoras e aos leitores do portal Fato Amazônico pelo carinho e pela leitura dessa entrevista, bem como a toda a equipe do Portal pelo apoio. Desejo que continuem encontrando no Fato informação de qualidade, bons textos e momentos de reflexão e entretenimento. E que se divirtam com esta minha entrevista, lembrando sempre que o cronista pode inventar, criar, fazer ficção e até mentir. Ou não!

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