
O ano de 2026 começou na Síria com uma nova onda de conflitos, remetendo aos anos de guerra civil que assolam o país desde 2014. Forças do governo interino, liderado pelo presidente Ahmed Hussein al-Sharaa, e as Forças Democráticas Sírias (SDF) estão em combate há três dias, reacendendo as tensões na região.
A nova escalada surgiu após negociações infrutíferas no domingo (4/1) entre a administração de al-Sharaa e a organização militar curda, que anteriormente foi fundamental na luta contra o Estado Islâmico (ISIS) ao lado da coalizão militar liderada pelos Estados Unidos.
O cerne das discussões era a implementação de um acordo firmado em março de 2025, que previa a integração de combatentes da SDF às forças governamentais sírias e a transferência de territórios governados pelos curdos para o controle do governo central. No entanto, nenhum resultado concreto foi alcançado na rodada mais recente de negociações.
Acusações Mútuas e Escalada da Violência
A tensão aumentou com acusações de ambos os lados. Damasco, capital do governo interino, alegou que combatentes curdos atacaram um posto de controle da polícia na cidade de Deir Hafer. Em resposta, na segunda-feira (5/1), as Forças Democráticas Sírias acusaram o governo de Ahmed al-Sharaa de bombardear posições do grupo e civis na mesma cidade, com o auxílio de facções alinhadas a Damasco.
Os confrontos se estenderam para a região de Aleppo, no norte do país, uma área controlada pelo novo governo, mas que possui regiões habitadas por curdos. Até o momento, observatórios locais reportam que a recente onda de violência já resultou na morte de cinco civis.
Desafios do Governo al-Sharaa
Desde que Ahmed Hussein al-Sharaa toppled Bashar al-Assad em 8 de dezembro de 2024, após mais de 50 anos de regime da família Assad, a situação na Síria permanece tensa. Apesar de ter sido reconhecido por grande parte da comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos sob o governo de Donald Trump, o novo governo sírio tem enfrentado dificuldades em concretizar suas promessas.
Entre os objetivos do governo de al-Sharaa está a intenção de romper com o passado extremista e apresentar uma imagem moderada, aceitável para os sírios e para as potências estrangeiras. No entanto, a integração e união nacional de um país que, na última década, ficou fragmentado e governado por diferentes atores, continua sendo um desafio significativo, como evidenciado pelos recentes conflitos.
Com informações de Metrópoles







