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Em um cenário de crescentes tensões globais, o tratado New START (Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas), o último acordo de controle de armas nucleares entre os Estados Unidos e a Rússia, expira oficialmente nesta quinta-feira (5/2), após 15 anos de vigência.

Assinado em 2010 pelos então presidentes Barack Obama (EUA) e Dmitry Medvedev (Rússia), o tratado entrou em vigor em 5 de fevereiro de 2011. Ele serviu não apenas como um limitador dos arsenais nucleares de ambos os países, mas também como um mecanismo crucial de troca de dados e transparência sobre armas nucleares de alcance intercontinental.

O Que o New START Estabelecia:

  • Limites de Ogivas: Washington e Moscou se comprometiam a ter, no máximo, 1.550 ogivas nucleares estratégicas cada.
  • Limites de Mísseis e Bombardeiros: Restrição a 700 mísseis balísticos e bombardeiros de longo alcance por país.
  • Inspeções Recíprocas: Previa 18 inspeções anuais de um país no outro para verificar o cumprimento dos limites.
  • Notificação Prévia: Obrigava a notificação prévia para lançamentos de mísseis balísticos.
  • Declarações Detalhadas: Exigia que cada país fornecesse ao outro uma declaração detalhada de veículos de lançamento estratégico, lançadores e ogivas nucleares implantados.

Inicialmente com duração de 10 anos (até 5 de fevereiro de 2021), o tratado foi estendido por mais cinco anos em 2021 pelos presidentes Joe Biden e Vladimir Putin, definindo 4 de fevereiro de 2026 como seu último dia.

Desafios e Suspensão em Meio à Guerra na Ucrânia

Em fevereiro de 2023, após o início da guerra na Ucrânia, a Rússia suspendeu sua participação no New START, alegando que a decisão era uma resposta ao apoio dos Estados Unidos à Ucrânia. Moscou, no entanto, afirmou que não se retirou formalmente do tratado e que continuaria a respeitar os limites estipulados. Os EUA, por outro lado, acusam a Rússia de não ter permitido o número combinado de inspeções e de não ter fornecido as informações exigidas.

Proposta Russa Ignorada e Plano Americano de Defesa

Em setembro do ano passado, o presidente russo, Vladimir Putin, propôs estender o acordo por mais um ano, até fevereiro de 2027. Contudo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou na terça-feira (3/2) que os EUA não responderam à proposta russa.

Enquanto isso, os Estados Unidos têm evitado comentar oficialmente sobre o fim do acordo. O presidente Donald Trump, por sua vez, manifesta a intenção de construir um sistema de defesas antimísseis, denominado “Domo de Ouro – uma versão norte-americana do Domo de Ferro de Israel. Segundo Trump, esse sistema será capaz de interceptar mísseis de longo alcance, justamente os limitados pelo New START. O interesse americano na Groenlândia, que tem gerado atritos com a OTAN, também está ligado a esse projeto de defesa, com Trump alegando que o território é “essencial para a defesa dos EUA”.

Com o fim do New START, é a primeira vez desde 1972 que não haverá limites legalmente vinculativos sobre os dois maiores arsenais nucleares do mundo.

Com informações de Metrópoes

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