
O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) instaurou uma notícia de fato para investigar o prefeito de Humaitá, José Cidenei Lobo do Nascimento, conhecido como “Dedei Lobo”, por suspeita de envolvimento em um esquema que pode incluir organização, peculato-desvio, falsidade ideológica, uso de documento falso e obstrução de investigação.
Além do prefeito, também são citados na apuração a secretária de Planejamento Ana Cristina Silva Melo, a secretária de Infraestrutura Andrinéia de Lima Silva e o ex-servidor Edivaldo Meireles de Oliveira, conhecido como “Zico”, além da própria Prefeitura de Humaitá.
A investigação teve início após o promotor Weslei Machado receber, no dia 11 de abril de 2026, um áudio encaminhado de forma anônima que levanta suspeitas sobre a condução da administração municipal.
De acordo com o material, o prefeito teria participado de uma conversa em que orienta um suposto servidor — apontado como possível “testa de ferro” — sobre como responder a questionamentos do Ministério Público.
O conteúdo indica, em tese, uma tentativa de direcionar depoimentos e interferir nas investigações, o que pode configurar obstrução de justiça.
Ainda conforme o áudio, o servidor citado teria recebido valores referentes a diárias e suprimentos — recursos destinados a pequenas despesas — sem utilizá-los de fato. O dinheiro seria transferido para sua conta e posteriormente repassado ao ex-servidor “Zico”, apontado como possível beneficiário final.
A narrativa levanta suspeitas de um mecanismo de desvio de recursos públicos com uso de intermediários, prática que, segundo o Ministério Público, pode estar ligada à simulação de processos administrativos e à criação de documentação falsa para dar aparência legal às operações.
Confira o vídeo:
Indícios de organização e tentativa de fraude
Na decisão que instaurou a notícia de fato, o MPAM destaca que os elementos apontam, em tese, para a existência de um núcleo estruturado dentro da administração municipal, com divisão de funções e uso da máquina pública para práticas ilícitas.
Entre os possíveis crimes investigados estão:
- organização criminosa;
- peculato-desvio;
- falsidade ideológica;
- uso de documento falso;
- obstrução de investigação;
- possível coação ou indução de testemunha.
O órgão também não descarta a apuração de eventual coação, caso fique comprovado que houve intimidação ou promessa de vantagem para influenciar depoimentos.
Caso segue em fase preliminar
Apesar da gravidade das acusações, o Ministério Público ressalta que o procedimento está em fase inicial de apuração, já que se baseia em denúncia anônima. O próximo passo será a verificação da autenticidade do áudio, identificação dos envolvidos e aprofundamento das investigações.
O material já está sendo preservado para análise técnica e o caso foi encaminhado à 2ª Promotoria de Justiça de Humaitá, além da Procuradoria-Geral de Justiça e da Câmara Municipal para eventuais providências legais.
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