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A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender a fabricação e determinar o recolhimento de lotes contaminados da marca Ypê reacendeu relatos de consumidores que já haviam identificado problemas em produtos da empresa meses antes da medida oficial.

Em dezembro de 2025, a consumidora Karoliny de Abreu Souza relatou ter percebido alterações em unidades de lava-roupas líquido adquiridas logo após o lançamento da linha. Segundo ela, o forte odor liberado ao abrir as embalagens foi o primeiro indício de que algo estava errado.

De acordo com o relato, uma das embalagens apresentava aparência estufada e cheiro intenso. Na época, Karoliny entrou em contato com a fabricante para informar o problema. Em resposta enviada pela empresa, a Ypê afirmou que análises feitas por um laboratório independente detectaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em algumas versões do produto.

A empresa informou que o risco à maioria dos consumidores seria considerado baixo, mas que, por precaução, decidiu recolher os lotes afetados. Mesmo assim, a consumidora demonstrou preocupação após utilizar parte do produto antes da identificação da bactéria.

Após a reclamação, a Ypê recolheu a embalagem apontada pela cliente e enviou outra unidade como substituição. Porém, segundo Karoliny, o novo produto também apresentava odor forte, levando-a a interromper definitivamente o uso da marca.

Meses depois, em março de 2026, a empresa voltou a responder à consumidora, informando que exames realizados pelo Laboratório de Controle de Qualidade identificaram alterações nas fragrâncias das amostras encaminhadas por ela. A fabricante afirmou ainda que intensificaria as medidas preventivas para evitar novos problemas.

Fiscalização identificou falhas graves

A suspensão anunciada pela Anvisa ocorreu após uma inspeção realizada na unidade da Química Amparo, fabricante da Ypê, no interior de São Paulo. A fiscalização contou com técnicos do Centro de Vigilância Sanitária estadual e da vigilância municipal.

Segundo a agência, foram encontradas falhas consideradas graves em etapas do processo produtivo, incluindo problemas nos sistemas de garantia da qualidade e no controle de produção de saneantes. As irregularidades, conforme a Anvisa, comprometem as Boas Práticas de Fabricação e aumentam o risco de contaminação microbiológica nos produtos comercializados.

A determinação da agência não afeta toda a linha da marca, mas atinge produtos cujos lotes terminam com o número “1”. A orientação é para que consumidores suspendam imediatamente o uso dos itens afetados.

Produtos incluídos no recolhimento

Ao todo, 23 produtos entre detergentes, lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes foram incluídos no recolhimento determinado pela Anvisa. Entre eles estão:

  • Lava-louças Ypê Clear Care;
  • Lava-louças Ypê com Enzimas Ativas;
  • Lava-louças Concentrado Ypê Green;
  • Lava-roupas líquidos da linha Tixan Ypê;
  • Desinfetante Bak Ypê;
  • Desinfetantes Atol;
  • Desinfetante Pinho Ypê.

Empresa afirma que risco é mínimo

Em nota, a Ypê informou que a bactéria Pseudomonas aeruginosa é encontrada com frequência no ar e na água e possui “mínima probabilidade” de causar danos à saúde da maior parte das pessoas. No entanto, a empresa reconheceu que o microrganismo pode representar risco para indivíduos imunocomprometidos.

A fabricante também afirmou que, mesmo com o baixo risco, optou pelo recolhimento preventivo dos produtos afetados e orientou consumidores a entrarem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) para substituição das unidades contaminadas.

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