Trabalhadores desinfetam o Hospital Geral de Referência de Mongbwalu durante a resposta ao surto de Ebola em Mongbwalu, província de Ituri, leste da República Democrática do Congo, em 20 de maio de 2026. • Michel Lunanga/Getty Images

O número de casos confirmados de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) subiu para 363, incluindo 62 mortes, segundo dados divulgados pelo governo do país nesta quarta-feira (3).

Durante coletiva de imprensa, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a resposta internacional está avançando, mas ainda enfrenta desafios para controlar a disseminação da doença.

“O surto teve uma grande vantagem inicial, e ainda estamos atrás, mas, sob a liderança do governo da RDC, estamos recuperando terreno”, declarou.

Surto já alcançou Uganda

De acordo com a OMS, o atual surto está associado à cepa Bundibugyo do vírus Ebola e já ultrapassou as fronteiras da República Democrática do Congo.

Na vizinha Uganda, foram registrados 15 casos confirmados da doença, incluindo uma morte.

As autoridades sanitárias monitoram a situação de perto para evitar uma expansão ainda maior da epidemia na região.

Testagem avançou, mas desafios permanecem

A OMS informou que houve melhora significativa no acesso aos testes laboratoriais, permitindo descartar centenas de casos inicialmente considerados suspeitos.

Segundo a entidade, os exames mais utilizados para detectar o Ebola não identificam facilmente a cepa Bundibugyo, responsável pelo atual surto, o que provocou um acúmulo de amostras pendentes de análise.

“O que a equipe em campo está fazendo é eliminar esse acúmulo”, explicou Abdirahman Mahamud, diretor de operações de alerta e resposta a emergências de saúde da OMS.

Rastreamento de contatos preocupa

Um dos principais desafios apontados pela organização é o rastreamento de pessoas que tiveram contato com pacientes infectados.

Atualmente, apenas cerca de 45% dos contatos identificados estão sendo monitorados pelas equipes de saúde.

Segundo Tedros, para controlar efetivamente a transmissão da doença, esse percentual precisa ultrapassar 90%.

Além disso, restrições de viagem impostas por alguns países têm afetado cadeias de suprimentos e dificultado o transporte de equipamentos e profissionais envolvidos na resposta à emergência sanitária.

Possível início em janeiro

A OMS informou que investiga a possibilidade de o surto ter começado ainda em janeiro deste ano.

Apesar disso, a prioridade no momento continua sendo conter a propagação do vírus e fortalecer as ações de vigilância epidemiológica.

OMS pede mais recursos

Para manter as operações de combate ao Ebola nos próximos três meses, a OMS estima que serão necessários pelo menos US$ 115 milhões.

Segundo o diretor de emergências da organização, Chikwe Ihekweazu, cerca de 35% desse valor já foi arrecadado, mas será necessário ampliar significativamente o financiamento internacional.

Um plano ampliado de resposta ao surto e uma nova campanha de arrecadação de recursos serão lançados na próxima sexta-feira em parceria com os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), além dos governos da República Democrática do Congo e de Uganda.

As autoridades de saúde seguem mobilizadas para evitar que o surto se transforme em uma crise sanitária ainda maior na região africana.

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