Vista externa do edifício da Geo News em Islamabad, no Paquistão • Reuters

O órgão regulador de mídia do Paquistão suspendeu por 15 dias a licença de transmissão da emissora Geo News, um dos maiores canais privados do país, após a exibição de um conteúdo considerado sensível durante um programa especial sobre o Muharram, período de grande importância para os muçulmanos.

Segundo a autoridade reguladora, o canal exibiu, na sexta-feira (26), representações visuais de caráter religioso que poderiam ofender sentimentos religiosos, comprometer a harmonia entre diferentes grupos islâmicos e gerar riscos à ordem pública.

Em nota divulgada neste domingo (28), a Geo News afirmou que a transmissão ocorreu por engano e informou que o conteúdo foi retirado de todas as suas plataformas digitais.

A emissora explicou que as imagens retratavam rituais realizados por algumas comunidades no Iraque e em outros países do Oriente Médio e que tinham apenas caráter informativo, sem intenção de promover qualquer interpretação religiosa.

População reagiu com críticas

A decisão do órgão regulador ocorreu em meio à forte repercussão do caso. Em Islamabad, moradores defenderam punições mais severas aos responsáveis pela transmissão.

O morador Imran Khan afirmou que o governo deveria prender os envolvidos, aplicar multa elevada e estabelecer penas para evitar novos episódios semelhantes.

Já Mohammad Zia defendeu que a suspensão da emissora deveria durar pelo menos seis meses como forma de servir de exemplo para outros veículos de comunicação.

Tema é altamente sensível no país

Representações do profeta Maomé e de outras figuras veneradas pelo islamismo são consideradas extremamente sensíveis no Paquistão, país de maioria muçulmana. Casos semelhantes já provocaram protestos e manifestações populares em diferentes ocasiões.

Durante o Muharram, período marcado por celebrações religiosas e procissões, as autoridades costumam reforçar as medidas de segurança para evitar conflitos e preservar a ordem pública.

Além da suspensão da licença, o órgão regulador determinou a abertura de uma investigação interna na emissora e encaminhou o caso ao Conselho de Reclamações da entidade para análise.

Liberdade de imprensa

O episódio ocorre em meio a críticas recorrentes sobre a liberdade de imprensa no Paquistão. Nos últimos anos, emissoras de televisão e veículos de comunicação têm sido alvo de suspensões, restrições e outras medidas regulatórias.

No Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2026, elaborado pela organização Repórteres Sem Fronteiras, o Paquistão aparece na 153ª posição entre 180 países.

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