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O porto de La Guaira, uma das áreas mais atingidas pelos terremotos que devastaram a Venezuela na última semana, foi transformado em um necrotério improvisado para receber os corpos retirados dos escombros de prédios que desabaram.

No local, médicos legistas trabalham entre dezenas de sacos mortuários espalhados pelo chão, enquanto outros corpos já foram colocados em caixões de madeira. Ao lado da estrutura montada para a operação, centenas de caixões aguardam uso enquanto equipes seguem retirando vítimas dos destroços.

Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram o país na quarta-feira, provocando destruição principalmente no estado costeiro de La Guaira, vizinho à capital Caracas. Segundo o balanço oficial mais recente, ao menos 1.719 pessoas morreram, mas o número de vítimas continua aumentando à medida que as buscas avançam.

Os necrotérios dos hospitais da região ficaram rapidamente sobrecarregados, levando as autoridades a utilizar o porto como centro para identificação dos corpos, emissão de certidões de óbito e liberação para cremação.

Familiares enfrentam longas filas na esperança de localizar parentes desaparecidos. Muitos carregam flores e relatam dificuldades para obter informações. “Reconheci minha filha pelo anel que dei a ela”, contou Antony Marcano, de 41 anos, após conseguir identificar o corpo da jovem.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que cerca de 50 mil pessoas ainda estejam desaparecidas e anunciou o envio de 10 mil bolsas mortuárias para auxiliar nas operações.

Enquanto isso, moradores denunciam a falta de apoio das autoridades nas buscas, que, em muitos casos, são realizadas pelos próprios sobreviventes. Empresas funerárias também passaram a oferecer gratuitamente serviços de traslado e cremação às famílias atingidas pela tragédia.

Além das mortes, milhares de pessoas seguem desalojadas. Conjuntos habitacionais sofreram graves danos estruturais, obrigando a evacuação de moradores que agora dormem nas ruas ou em abrigos improvisados, enquanto engenheiros avaliam o risco de novos desabamentos.

Com informações de Metrópoles

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