João Viana e Divulgação/Semcom

Preservar a história de uma cidade não significa mantê-la parada no tempo. Em Manaus, a recuperação do patrimônio histórico vem sendo associada a uma estratégia de transformação urbana que busca conciliar memória, novos usos, turismo, atividade econômica e qualidade de vida.

No Dia Nacional do Patrimônio Cultural, celebrado nesta segunda-feira (17/8), a Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), destacou as ações destinadas a preservar os espaços históricos e, ao mesmo tempo, incorporá-los à dinâmica atual da cidade.

O tema ganhou maior projeção após o reconhecimento dos “Teatros da Amazônia” — Teatro Amazonas, em Manaus, e Theatro da Paz, em Belém — como Patrimônio Mundial da Unesco. Além de ampliar a visibilidade internacional das duas capitais, o título reforça a necessidade de preservação dos bens culturais e de qualificação das áreas ao redor deles.

Segundo o diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, o município participou tecnicamente da candidatura que resultou no reconhecimento internacional. O trabalho envolveu levantamentos cadastrais, estudos sobre uso e ocupação do solo, infraestrutura, mobilidade, comércio e serviços, além de informações relacionadas ao entorno do Teatro Amazonas e do largo de São Sebastião.

Para Peixoto, preservação e desenvolvimento urbano não devem ser tratados como conceitos opostos. A proposta é manter o valor histórico das edificações enquanto esses espaços continuam participando da vida econômica, cultural e social da cidade.

“Patrimônio é memória, mas também é futuro. Preservação e desenvolvimento caminham juntos. Quando recuperamos um espaço histórico, damos a ele novos usos, trazemos pessoas de volta, movimentamos a economia e fazemos a memória da cidade continuar fazendo parte da vida da população”, afirmou.

Imóveis históricos ganham novas funções

A integração entre preservação e transformação urbana está entre as diretrizes do programa Nosso Centro. Uma das estratégias consiste em identificar imóveis históricos, edificações desocupadas e espaços que possam receber novas funções sem perder suas características e importância cultural.

O vice-presidente do Implurb, arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro, cita como exemplo o casarão Thiago de Mello, anteriormente utilizado como residência e que atualmente abriga a sede do Conselho Municipal de Cultura (Concultura). O casarão São Vicente também faz parte da estratégia e deverá ser transformado em um hub de inovação.

Outro projeto é a requalificação da rua Ferreira Pena, que pretende fortalecer a vocação gastronômica e cultural da área. A intervenção busca aumentar a circulação de pessoas e estimular novos empreendimentos, aproveitando atividades que já existem no local.

A estratégia também contempla a retomada da habitação no Centro. Para o Implurb, a combinação entre moradia, comércio, serviços, gastronomia, cultura e turismo é importante para manter a região movimentada em diferentes períodos do dia.

A prefeitura reconhece, porém, que a recuperação de uma área central degradada ao longo de décadas é um processo de longo prazo. Após os investimentos iniciais do poder público, a expectativa é ampliar a participação da iniciativa privada em novos projetos e na recuperação de imóveis.

Preservação mantém identidade de Manaus

Além dos efeitos urbanísticos e econômicos, a preservação dos imóveis históricos é tratada como uma forma de conservar a identidade da população. Parte dessas construções registra diferentes períodos da formação de Manaus, incluindo as transformações ocorridas durante o ciclo da borracha.

Para Pedro Paulo Cordeiro, preservar essas edificações permite incorporar elementos do passado ao presente e mantê-los para as próximas gerações.

A identidade manauara e amazonense, segundo o arquiteto, também deve ser compreendida a partir da diversidade de povos e culturas que participaram da formação da região, incluindo as populações indígenas e ribeirinhas.

A recuperação do patrimônio e a revitalização do centro histórico, dessa forma, envolvem não apenas restauração arquitetônica, mas também novos usos, investimentos públicos e privados e a retomada desses espaços pela própria população.

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