
A menos de um mês do primeiro turno das eleições, as manifestações do 7 de Setembro deste ano colocam em evidência estratégias distintas entre os principais candidatos à Presidência da República. A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente as suspeitas relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes e seu suposto contato com o empresário e então banqueiro Daniel Vorcaro, tornou-se um dos principais temas do cenário político nesta segunda-feira (7).
Na direita, o ato marcado para as 15h na Avenida Paulista, em São Paulo, terá como principal bandeira a abertura de uma investigação contra Moraes e o avanço de um pedido de impeachment do ministro no Senado. A manifestação é liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, e reúne políticos e apoiadores de diferentes setores da direita.
Flávio afirmou no domingo (6), durante uma transmissão nas redes sociais, que espera uma grande participação popular no ato. Segundo o senador, a quantidade de pessoas nas ruas poderá influenciar o ambiente político em torno de uma eventual investigação contra Moraes no Supremo.
O parlamentar também declarou acreditar que parte dos ministros da Corte estaria sensível à pressão popular e defendeu que o STF priorize a preservação da instituição, da democracia e da Constituição.
A possível abertura de uma investigação contra Moraes ainda depende de julgamento no plenário do STF. O ministro André Mendonça, relator da ação, já liberou o processo para análise dos demais integrantes da Corte, mas a data da sessão ainda precisa ser definida pelo presidente do tribunal, Edson Fachin.
Entre os nomes confirmados para a manifestação na Paulista estão a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB). Também são esperados candidatos da direita que disputam vagas para a Câmara dos Deputados e o Senado, entre eles Nikolas Ferreira (PL-MG) e Carlos Portinho (PL-RJ).
A mobilização ocorre em meio à repercussão de informações envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Relatório da Polícia Federal aponta a existência de mensagens atribuídas ao ministro e ao então banqueiro, inclusive em período próximo à prisão de Vorcaro, em novembro de 2025. O caso passou a ser explorado politicamente pela oposição e aumentou a pressão sobre o STF.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, adotou uma linha diferente para o 7 de Setembro. A principal mensagem do governo é a defesa da soberania nacional diante do que o Palácio do Planalto considera tentativas de interferência estrangeira, em especial por parte dos Estados Unidos.
O tema foi reforçado por Lula em pronunciamento transmitido em cadeia nacional na noite de domingo. O presidente destacou a necessidade de preservar a autonomia brasileira e defender os interesses nacionais diante de pressões externas.
Em Brasília, o desfile oficial do 7 de Setembro será realizado na Esplanada dos Ministérios com o slogan “A Força que Une o Brasil”. A programação também terá referências ao enfrentamento da violência contra as mulheres e ao combate ao feminicídio.
A participação de integrantes do Supremo no desfile, no entanto, é uma incógnita. Alexandre de Moraes esteve presente na cerimônia de 2024, mas não participou do evento realizado no ano passado. A presença dos ministros ocorre em um momento de forte tensão política envolvendo a Corte.
Nos últimos dias, Lula também passou a ser aconselhado por aliados a manter uma postura de maior distância em relação a Moraes, principalmente diante da repercussão do caso envolvendo Vorcaro. O ministro havia participado recentemente de uma articulação política que aproximou novamente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), durante um jantar realizado na residência de Moraes.
Na sexta-feira, Lula afirmou, ao lado de Fachin, que o episódio precisa ser esclarecido com total transparência. O presidente também defendeu que nenhuma autoridade utilize o cargo público para obter benefícios pessoais.
Enquanto Lula concentra sua mensagem na soberania nacional e Flávio Bolsonaro mobiliza apoiadores em torno das críticas ao STF, outros candidatos também escolheram o feriado da Independência para apresentar suas próprias estratégias políticas.
O escritor Augusto Cury (Avante), que aparece em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais, promove nesta segunda-feira uma caminhada em Copacabana, no Rio de Janeiro. A concentração está prevista para as 9h, com percurso entre os postos 5 e 6 da orla.
A proposta do candidato é se distanciar da polarização entre direita e esquerda. O ato foi apresentado como uma mobilização pela pacificação do país e pelo fim dos conflitos políticos que têm marcado o ambiente eleitoral.
Em São Paulo, Renan Santos (Missão) também organizou uma manifestação para o feriado. O ato será realizado no Obelisco do Ibirapuera e terá como uma das principais pautas críticas aos chamados “traidores da nação”.
Renan decidiu não participar da manifestação organizada por Flávio Bolsonaro na Paulista e aproveitou para fazer críticas ao senador. O candidato afirmou que Flávio estaria envolvido no caso relacionado ao Banco Master e declarou que pretende responsabilizá-lo caso seja eleito.
Outro candidato que realizará manifestação contra o STF é o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). O ato está previsto para começar às 9h20, na Avenida Paulista, próximo à Rua da Consolação.
A programação de Zema inclui uma entrevista coletiva à imprensa e, posteriormente, uma caminhada pela avenida em direção ao Museu de Arte de São Paulo (MASP). A iniciativa ocorre paralelamente à mobilização organizada por Flávio Bolsonaro, mas em horário diferente.
Já o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) escolheu Goiânia para participar das celebrações da Independência. O candidato acompanhará um desfile cívico marcado para as 8h, na Avenida Tocantins, em frente ao Teatro Goiânia.
Com diferentes atos espalhados pelo país, o 7 de Setembro de 2026 se transforma, portanto, em um dos primeiros grandes momentos de exposição pública dos candidatos antes do primeiro turno. Além das tradicionais comemorações pela Independência, a data passou a ser utilizada pelas campanhas para reforçar discursos sobre democracia, soberania, segurança institucional, combate à polarização e críticas ao Supremo Tribunal Federal.
A divisão das manifestações também evidencia a disputa por espaço no eleitorado de direita, enquanto Lula procura consolidar uma agenda de defesa da soberania e de união nacional. Com a campanha eleitoral entrando em sua reta decisiva, os atos deste feriado devem servir como termômetro da capacidade de mobilização dos candidatos e de suas principais bases políticas.







