
Uma força-tarefa formada por 18 aeronaves dos governos federal e estadual já lançou 3,2 milhões de litros de água sobre áreas atingidas por incêndios florestais no Amazonas em apenas duas semanas. A operação, iniciada em 11 de outubro, utiliza aviões de combate ao fogo, helicópteros e monitoramento por satélite para enfrentar as queimadas que atingem principalmente municípios do interior do estado.
O volume de água despejado pelas aeronaves equivale a aproximadamente 1.280 piscinas de 2.500 litros. Os lançamentos são coordenados pela Sala de Situação do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), responsável por identificar as áreas prioritárias e direcionar as equipes para os locais onde os incêndios apresentam maior intensidade.
A operação conta com 16 aeronaves disponibilizadas pelo Governo Federal e duas pelo Governo do Amazonas. A estrutura inclui oito aviões Air Tractor, dois KC-390 e oito helicópteros, utilizados em diferentes etapas das ações de combate aos incêndios florestais.
Amazonas registra mais de 24 mil focos de incêndio desde junho
A mobilização ocorre em meio ao elevado número de queimadas registradas no estado. Segundo balanço do Corpo de Bombeiros, entre 1º de junho e 26 de outubro foram contabilizados 24.272 focos de incêndio no Amazonas, dos quais 19.540 ocorreram no interior e 4.732 em Manaus.
Os dados mostram que aproximadamente 80,5% dos focos registrados no período estão concentrados nos municípios do interior, enquanto a capital responde por 19,5%.
No mesmo intervalo, o CBMAM contabilizou 3.889 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais.
Os números demonstram a dimensão do desafio enfrentado pelas equipes de combate, especialmente em regiões de difícil acesso, onde o deslocamento terrestre pode ser limitado e o apoio aéreo se torna fundamental.
Satélites orientam aeronaves até áreas atingidas pelo fogo
Para tornar as operações mais eficientes, a Sala de Situação do Corpo de Bombeiros utiliza imagens de satélite e coordenadas geográficas para localizar os incêndios e definir quais áreas devem receber atendimento prioritário.
O coordenador das operações aéreas do CBMAM, coronel Helliton Silva, explicou que as informações são repassadas diretamente às tripulações, permitindo que os pilotos encontrem os focos mesmo em regiões afastadas dos centros urbanos.
“A partir do momento que esses alvos são identificados, nós solicitamos o apoio das aeronaves que estão disponíveis. São passadas as coordenadas geográficas, os pilotos colocam nos equipamentos de suas aeronaves e chegam até o local”, explicou.
Segundo o coronel, a precisão das informações é indispensável para o sucesso das operações.
“Não adianta a gente simplesmente avisar às tripulações que é na localidade tal, comunidade tal, eles não vão conseguir identificar lá do alto”, acrescentou.
Enquanto os aviões realizam os lançamentos de água diretamente sobre as áreas atingidas, os helicópteros são utilizados para transportar bombeiros militares, brigadistas, equipamentos e suprimentos necessários às operações.
Manaus, Itacoatiara e Parintins concentram bases estratégicas
As operações aéreas foram organizadas a partir de três bases estratégicas instaladas em Manaus, Itacoatiara e Parintins.
A escolha dos municípios levou em consideração a concentração de incêndios ativos e a necessidade de reduzir o tempo de deslocamento das aeronaves até as regiões mais afetadas.
De acordo com o coronel Helliton Silva, Manaus, Itacoatiara, Parintins e Autazes estão entre os municípios que apresentam os maiores números de focos ativos de incêndio.
“Estrategicamente, as bases são Manaus, Itacoatiara e Parintins por uma questão muito óbvia. São esses os municípios, juntamente com Autazes, que produzem e estão apresentando atualmente os maiores focos ativos de incêndio”, afirmou.
Cerca de 1.500 profissionais atuam no combate às queimadas
Além do reforço aéreo, aproximadamente 1.500 profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas, participam das ações de enfrentamento aos incêndios florestais no Amazonas.
O Governo do Estado também anunciou a contratação de mais 153 brigadistas florestais por meio do programa Floresta em Pé, ampliando a capacidade de atuação nas áreas mais vulneráveis.
Entre as medidas adotadas estão o monitoramento permanente dos focos, a distribuição de equipamentos multimissão e a entrega de novas viaturas, incluindo picapes equipadas com kits de combate a incêndios.
As ações são realizadas de forma integrada entre os governos estadual e federal, com o objetivo de ampliar a capacidade de resposta e reduzir os danos ambientais provocados pelas queimadas.
Corpo de Bombeiros amplia presença no interior do Amazonas
O reforço das operações também acompanha a expansão da estrutura do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas.
Entre maio de 2025 e setembro de 2026, o número de municípios com bases permanentes da corporação passou de 11 para 26, mais que dobrando a presença institucional no interior do estado.
Cada novo município contemplado recebeu uma viatura de combate a incêndio com capacidade para transportar 10 mil litros de água, além de equipamentos e reforço de militares e brigadistas.
O efetivo da corporação também foi ampliado nos últimos anos. Entre 2019 e 2025, o número de bombeiros militares passou de 692 para 1.537, após a realização de concurso público, o primeiro em 11 anos.
Com a combinação de aeronaves, equipes terrestres e monitoramento por satélite, a força-tarefa busca intensificar o combate aos incêndios e minimizar os impactos das queimadas sobre o meio ambiente e a população amazonense.







