
O governo da Argentina informou nesta terça-feira (27/10) que não pretende divulgar um comunicado sobre a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que conquistou seu quarto mandato nas eleições brasileiras de domingo (25/10).
A declaração foi feita pelo porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre os dois países, provocado por declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra autoridades brasileiras.
Questionado sobre a possibilidade de uma manifestação oficial, Ravier afirmou que nenhum pronunciamento está sendo preparado. Segundo ele, a decisão estaria relacionada à ausência de uma congratulação pessoal de Lula a Milei após a eleição presidencial argentina de 2023.
Entretanto, Lula se manifestou nas redes sociais em 19 de novembro daquele ano, quando desejou sucesso ao novo governo argentino e reafirmou a disposição do Brasil de manter a cooperação bilateral. Na ocasião, o brasileiro não mencionou Milei nominalmente.
Até esta terça-feira, Milei era o único presidente sul-americano que não havia parabenizado Lula pela reeleição nem comentado publicamente o resultado do pleito brasileiro.
Entenda a crise diplomática entre Brasil e Argentina
As relações entre os dois países se deterioraram após Milei participar, em São Paulo, de um evento de lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula nas eleições de 2026.
Durante a visita, o presidente argentino criticou a política econômica brasileira e dirigiu ataques pessoais a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As declarações provocaram reação do Ministério das Relações Exteriores, que convocou o embaixador argentino em Brasília para manifestar repúdio às falas.
Posteriormente, o governo brasileiro chamou seu embaixador em Buenos Aires para consultas, medida diplomática utilizada para demonstrar insatisfação com outro país.
Com a continuidade das tensões, o Brasil decidiu rebaixar o nível das relações diplomáticas e solicitou o retorno do embaixador argentino ao país de origem.
Segundo relatos de fontes diplomáticas, uma normalização das relações dependeria de uma mudança de postura do governo Milei.
Apesar do impasse político, Brasil e Argentina permanecem parceiros estratégicos no comércio regional e integram o Mercosul.
Com informações de Metrópoles







