
O município de Borba, no interior do Amazonas, concentrou o maior valor de multas ambientais aplicadas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) durante a 13ª etapa da Operação Tamoiotatá 6, encerrada na última terça-feira (28). Foram R$ 3,5 milhões em penalidades por irregularidades ambientais. Já Careiro registrou a maior área embargada, com 595,24 hectares, além de R$ 1,7 milhão em multas.
O balanço, consolidado na noite de quinta-feira (29), revela que as fiscalizações realizadas em seis municípios resultaram em R$ 8.547.100 em multas, 56 autos de infração e 38 termos de embargo e interdição, atingindo uma área total de 916,03 hectares, equivalente a aproximadamente 1.283 campos de futebol.
As ações ocorreram entre os dias 9 e 28 de outubro, nos municípios de Borba, Careiro, Careiro da Várzea, Manaquiri, Beruri e Autazes. Entre as principais irregularidades identificadas estão desmatamento sem autorização, queimadas ilegais, destruição de vegetação nativa, atividades sem licenciamento ambiental e descumprimento de embargos anteriores.
Borba concentra maior valor em multas
Em Borba, as equipes do Ipaam lavraram 12 autos de infração, que somaram R$ 3,5 milhões em multas, o equivalente a aproximadamente 41% do total aplicado durante a etapa da operação.
As irregularidades envolveram desmatamento sem autorização, descumprimento de embargo ambiental, funcionamento de atividades sem licença e danos à regeneração natural da vegetação.
O município também teve 136,56 hectares embargados.
Careiro lidera em área embargada e número de infrações
Embora Borba tenha registrado o maior valor em multas, Careiro apresentou o maior número de autuações e a maior extensão territorial atingida por embargos.
Foram 23 autos de infração, R$ 1,7 milhão em multas e 28 termos de embargo e interdição. A área embargada chegou a 595,24 hectares, representando aproximadamente 65% de toda a extensão interditada durante a operação.
As equipes identificaram desmatamento irregular, uso ilegal do fogo em áreas agropastoris, incêndios em vegetação nativa e descumprimento de determinações ambientais anteriores.
O resultado chama atenção porque Careiro está localizado nas proximidades de Manaus, região onde as queimadas e o desmatamento contribuem para a formação de fumaça que compromete a qualidade do ar na capital amazonense.
Multa de R$ 1,14 milhão por uso irregular do fogo em Manaquiri
Outro destaque da operação ocorreu em Manaquiri, onde uma única autuação por uso irregular do fogo em aproximadamente 76 hectares de área agropastoril resultou em multa de R$ 1,14 milhão.
No total, o município acumulou R$ 1,2 milhão em multas, quatro autos de infração e quatro termos de embargo e interdição, com 126,48 hectares embargados.
Em Beruri, cinco autos de infração resultaram em R$ 1 milhão em multas. As irregularidades incluíram queimadas ilegais, supressão de vegetação nativa, atividades sem licença ambiental e descumprimento de embargos.
Careiro da Várzea registrou dez autos de infração e R$ 927,5 mil em multas, além de 55,55 hectares embargados.
Já em Autazes, foram aplicados R$ 40 mil em multas, com dois autos de infração e embargo de 2,19 hectares.
Fiscalização foi reforçada para combater fumaça que atinge Manaus
Durante a 13ª etapa da Operação Tamoiotatá 6, parte das equipes do Ipaam foi deslocada para municípios próximos à capital amazonense, diante da influência das queimadas e do desmatamento irregular na geração de fumaça que atinge Manaus.
Segundo o analista ambiental Alexandre Souza, gerente de fiscalização ambiental em exercício do instituto, o reforço teve como objetivo ampliar o combate às infrações ambientais em áreas consideradas prioritárias.
As principais irregularidades encontradas estão relacionadas ao desmatamento e ao uso ilegal do fogo, especialmente em propriedades destinadas a atividades agropastoris.
As fiscalizações ocorreram durante a vigência do Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro de 2026, que proíbe o uso do fogo no Amazonas por 120 dias.
O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, afirmou que a presença das equipes em campo é fundamental para impedir o avanço dos danos ambientais e responsabilizar os infratores.
“Estamos trabalhando para impedir que práticas irregulares continuem causando danos ao meio ambiente. O Governo do Amazonas tem reforçado a presença das equipes em campo, especialmente neste período de proibição do uso do fogo. Nosso objetivo é fazer cumprir a legislação ambiental e evitar que novas áreas sejam degradadas”, declarou.
Drones e satélites ajudam a identificar desmatamento e queimadas
Para localizar áreas com indícios de irregularidades, as equipes utilizaram imagens de satélite, drones, ferramentas de geoprocessamento e informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
O trabalho também contou com alertas do Programa Brasil MAIS e dados de sensoriamento remoto do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
As viaturas utilizadas nas fiscalizações possuem internet via satélite, permitindo comunicação e acesso a informações ambientais mesmo em localidades sem cobertura de telefonia móvel.
A operação contou com apoio de órgãos estaduais de segurança pública, incluindo Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros.
Operação continua até dezembro
A Operação Tamoiotatá 6 seguirá até dezembro de 2026, com novas etapas de fiscalização voltadas ao combate ao desmatamento e ao uso irregular do fogo.
Paralelamente, o Ipaam mantém as operações Alerta Fogo e Região Metropolitana, que também fiscalizam infrações ambientais em municípios próximos de Manaus e ao longo das rodovias AM-010, AM-070 e BR-174.
As áreas embargadas ficam sujeitas a restrições de uso até que os responsáveis cumpram as exigências de regularização ambiental. O embargo não representa perda da propriedade, mas impede a continuidade de atividades que possam ampliar os danos ambientais.
Os valores eventualmente arrecadados com o pagamento das multas são destinados ao Fundo Estadual do Meio Ambiente (Fema).







