
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou acreditar que será preso no Brasil em razão das investigações que envolvem seu nome. A declaração foi dada em sua primeira entrevista após deixar o país e se estabelecer nos Estados Unidos, em conversa publicada pelo jornal norte-americano The New York Times nesta quinta-feira (5).
Questionado sobre o futuro das investigações, o parlamentar demonstrou acreditar que poderá enfrentar consequências judiciais. “Eu já sei que o desfecho final será a minha prisão”, declarou ao veículo.
Apesar da afirmação, Flávio ainda não responde a uma ação penal relacionada aos inquéritos mencionados. Ele é investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, acusações que o senador nega.
Durante a entrevista, Flávio também negou ter recebido auxílio de autoridades ou de integrantes do governo norte-americano para deixar o Brasil no dia 27 de outubro. Segundo ele, toda a operação foi organizada por conta própria.
“Foi tudo obra minha”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”.
A versão apresentada pelo senador, entretanto, contrasta com informações divulgadas anteriormente pela imprensa internacional. Reportagens do The New York Times e de outros veículos apontaram que Jason Miller, assessor de comunicação do presidente Donald Trump, teria participado da organização do jato particular utilizado na viagem.
Segundo as informações divulgadas, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, manteve contato com Miller durante a articulação do deslocamento. O governo norte-americano também confirmou que Flávio e seus familiares receberam autorização para entrar nos Estados Unidos.
Trajeto até os Estados Unidos
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil acompanhado da esposa, Fernanda, e das duas filhas, Luiz e Carolina, dois dias após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
O parlamentar seguiu inicialmente para a Argentina, de onde embarcou em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador. Após uma parada para reabastecimento, a aeronave continuou viagem até Miami, na Flórida, onde pousou na manhã de 28 de outubro.
A viagem ocorreu depois de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ordenou a entrega dos passaportes brasileiro e diplomático do senador à Polícia Federal.
A decisão foi tomada após a PF apontar risco de fuga do parlamentar e solicitar medidas cautelares para impedir que ele deixasse o território nacional. Flávio não cumpriu a determinação e deixou o país.
A Polícia Federal também abriu uma investigação para apurar as circunstâncias da saída do senador. Segundo a corporação, não foram encontrados registros de passagem do parlamentar por postos oficiais de controle migratório brasileiro durante o deslocamento.
Investigações no Brasil
Flávio Bolsonaro é investigado em inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado e empresário Willer Tomaz. Outro investiga possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
O senador nega envolvimento em práticas criminosas.
A situação jurídica do parlamentar poderá passar por mudanças com o encerramento de seu mandato no Senado, previsto para o início de 2027. Com o fim do mandato, ele deixará de contar com o foro por prerrogativa de função vinculado ao cargo, o que poderá alterar a instância responsável pela análise dos procedimentos, conforme as regras de competência do Judiciário.
A entrevista ao New York Times ocorre em meio à repercussão internacional da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e às divergências sobre a participação de integrantes do governo Donald Trump na organização da viagem.







