Reprodução/Redes Sociais

A mulher acusada de envenenar um ovo de Páscoa que provocou a morte de duas crianças no Maranhão será julgada pelo Tribunal do Júri ainda neste mês. Presa desde abril do ano passado, Jordélia Pereira Barbosa responde por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio.

O julgamento está marcado para o dia 22 de junho, em Imperatriz, no sudoeste maranhense. Segundo o Ministério Público do Maranhão, a acusada teria enviado um ovo de chocolate para Mirian Lira e seus dois filhos, Luiz Fernando, de 7 anos, e Evillyn, de 13 anos.

De acordo com a investigação, o chocolate foi consumido pela família na noite de 16 de abril de 2025. As duas crianças não resistiram aos efeitos do veneno e morreram. Mirian sobreviveu após receber atendimento médico.

O Ministério Público sustenta que o crime teria sido motivado por ciúmes. Conforme a denúncia, Jordélia não aceitava o relacionamento entre Mirian e seu ex-marido e teria planejado o envio do presente envenenado como forma de atingir a rival.

As investigações apontaram ainda que a acusada utilizava perfis falsos em redes sociais para acompanhar e manter contato com a vítima.

Durante a fase processual, a defesa solicitou a realização de um exame psicológico para avaliar uma possível inimputabilidade da acusada. O pedido, no entanto, foi negado pelo juiz responsável pelo caso, que entendeu não haver elementos suficientes que justificassem a medida.

Segundo a decisão, testemunhas apresentadas pela própria defesa afirmaram desconhecer qualquer histórico de transtornos mentais, depressão ou tentativas de suicídio por parte da ré. O marido da acusada também informou não ter conhecimento sobre uso contínuo de medicamentos psiquiátricos.

Nas alegações finais, o Ministério Público reforçou a acusação de homicídio doloso, quando há intenção de matar, além da tentativa de homicídio contra a mulher que sobreviveu. Já a defesa pediu a desclassificação dos crimes para homicídio culposo e lesão corporal.

De acordo com a Polícia Civil do Maranhão, as investigações identificaram que Jordélia adquiriu os ovos de chocolate em uma loja de Imperatriz dias antes do crime. Imagens de câmeras de segurança registraram a mulher utilizando peruca escura e óculos durante a compra.

Durante as diligências, os policiais apreenderam perucas, notas fiscais, cartões bancários, uma tesoura, uma faca de serra e medicamentos. Para os investigadores, o conjunto de provas reunido ao longo da apuração aponta a acusada como autora do envenenamento.

A polícia informou que Jordélia chegou a Imperatriz dias antes do crime e teria planejado toda a logística para a entrega do chocolate à família. Após o envio do produto, ela embarcou em um ônibus com destino a Santa Inês, onde acabou localizada e presa.

O caso ganhou repercussão nacional pela gravidade dos fatos e pela morte das duas crianças. Agora, caberá ao júri popular decidir sobre a responsabilidade da acusada pelos crimes.

Com informações de Metrópoles

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