
O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que não disputará a Presidência da República nas eleições deste ano e defendeu que o PSDB adote uma posição de neutralidade no primeiro turno. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o parlamentar disse que a prioridade da legenda será reconstruir sua força política e iniciar a formulação de um projeto nacional com foco nas eleições de 2030.
Segundo Aécio, o partido chegou a discutir a possibilidade de lançar uma candidatura própria ao Palácio do Planalto, mas concluiu que o cenário atual dificulta o surgimento de uma alternativa competitiva diante da polarização política. Para ele, o PSDB deve apoiar uma candidatura de centro, mas sem entrar na disputa do primeiro turno.
“O caminho natural hoje, depois de discutirmos até as possibilidades de uma candidatura, é o apoio a uma candidatura no centro. Mas o que nós percebemos é que, a três meses das eleições, ficou muito difícil furar essa bolha. Então, vamos dar um passo atrás para dar vários na frente e construir um projeto de Brasil a partir de agora já nestas eleições”, afirmou.
Além de descartar uma candidatura presidencial, Aécio disse que ainda não decidiu se disputará uma vaga no Senado por Minas Gerais, cargo que ocupou entre 2011 e 2019. O deputado afirmou que sua principal missão no momento é fortalecer o PSDB e ampliar o espaço político da legenda nos próximos anos.
Antes de cogitar concorrer à Presidência, o parlamentar também avaliou a possibilidade de o partido lançar o ex-ministro Ciro Gomes como candidato. No entanto, segundo Aécio, Ciro preferiu disputar o governo do Ceará, onde enfrentará o atual governador Elmano de Freitas (PT).
Na entrevista, o deputado avaliou que, caso o segundo turno seja disputado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o PSDB tende a se dividir. De acordo com ele, parte significativa dos tucanos do Nordeste poderá apoiar Lula, enquanto outra parcela deve optar pelo candidato do PL.
Aécio também criticou a polarização política no país e afirmou que tanto o governo quanto a oposição são beneficiados pelo ambiente de confronto entre os dois principais grupos políticos nacionais. Na avaliação do parlamentar, esse cenário dificulta o fortalecimento de forças de centro e reduz o espaço para alternativas eleitorais.
O deputado destacou ainda que a reconstrução do PSDB passa por um processo de reorganização partidária. A legenda, que já governou oito estados e chegou a ter uma das maiores bancadas da Câmara dos Deputados durante os governos de Fernando Henrique Cardoso, atualmente não comanda nenhum governo estadual e conta com 18 deputados federais.
Segundo Aécio Neves, o objetivo do partido é aproveitar o período pós-eleitoral para retomar o protagonismo político e construir uma proposta nacional capaz de disputar a Presidência da República nas eleições de 2030.







