
O rompimento de uma tubulação da concessionária Águas de Manaus em uma das principais vias da Zona Norte da capital reacendeu as críticas sobre a qualidade dos serviços executados pela empresa após intervenções emergenciais. Diante do episódio, a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município de Manaus (Ageman) notificou a concessionária para que apresente, em até 48 horas, esclarecimentos sobre as causas do vazamento que comprometeu o asfalto recém-recuperado da Avenida Coronel Sávio Belota, no bairro Novo Aleixo.
O incidente ocorreu na última segunda-feira (13) e provocou a abertura do pavimento que havia sido recapeado recentemente pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), obrigando uma nova intervenção na via e gerando transtornos para motoristas, pedestres e moradores da região.
Por meio do Termo de Notificação nº 060/2026, a Ageman determinou que a empresa informe as causas do rompimento da tubulação, detalhe as providências adotadas para solucionar o problema e apresente um relatório sobre os impactos provocados na infraestrutura da avenida.
Moradores denunciam problemas recorrentes
A situação levou moradores a acionarem a equipe de reportagem do Portal Fato Amazônico para denunciar o que classificam como sucessivos serviços mal executados pela concessionária.
Representante comunitário do bairro Mutirão, Inaldo de Castro afirmou que o problema vai além do vazamento emergencial e está relacionado à baixa qualidade da recomposição do pavimento realizada pela empresa após as obras.
Segundo ele, a Avenida Coronel Sávio Belota havia sido totalmente revitalizada pela Prefeitura de Manaus e apresentava excelentes condições de tráfego até a abertura do asfalto para o reparo da rede.
“O serviço emergencial precisava ser feito, ninguém discute isso. O que questionamos é o que acontece depois. O asfalto recolocado não tem a mesma qualidade, já existem pontos afundando e essa situação se repete constantemente. Queremos que a empresa entregue a rua nas mesmas condições em que encontrou”, afirmou.
O líder comunitário também lembrou que outros rompimentos já ocorreram na mesma avenida e relatou que, em ocasiões anteriores, veículos chegaram a cair em buracos abertos após problemas na rede de abastecimento.
Ainda segundo Inaldo, moradores chegaram a apresentar à concessionária um levantamento dos pontos onde o pavimento precisaria ser refeito após obras de implantação das redes, mas os serviços prometidos não teriam sido executados conforme o acordo.
Moradora relata prejuízos e falta de água
Quem também critica a atuação da concessionária é a moradora Socorro Batista. Ela afirma que o problema não é isolado e diz que os transtornos atingem diretamente quem vive na região.
De acordo com ela, o rompimento colocou em risco pedestres, ciclistas e motociclistas que passam diariamente pelo local, além de provocar interrupção no abastecimento de água.
“Isso não é a primeira vez que acontece. O perigo é para quem passa aqui, principalmente crianças e motociclistas. A rua estava bonita, não passou nem um mês do recapeamento e já abriram tudo de novo”, reclamou.
A moradora também afirmou que já enfrentou longos períodos sem abastecimento.
“Já fiquei 20 dias sem água e, quando a conta chegou, veio um valor absurdo. Procuramos nossos direitos, mas nada foi resolvido”, disse.
Ageman exige recuperação completa da via
Além dos esclarecimentos, a Ageman estabeleceu uma série de exigências técnicas para a recuperação da avenida.
Entre elas está a execução da chamada multicobertura, técnica que amplia a área de recomposição do pavimento para evitar desníveis entre o trecho reparado e o restante da pista.
A agência também determinou que sejam corrigidos eventuais afundamentos causados pelas máquinas utilizadas durante a obra e que o acabamento mantenha o mesmo padrão de qualidade do recapeamento executado pela Seminf.
Os fiscais da Ageman acompanharão todas as etapas da recuperação para verificar se os serviços atendem às especificações técnicas antes da liberação definitiva da via.
Debate sobre planejamento das obras
O caso volta a colocar em discussão a necessidade de maior coordenação entre as obras de infraestrutura urbana e as intervenções realizadas pelas concessionárias de serviços públicos.
A Avenida Coronel Sávio Belota é uma das principais ligações da Zona Norte de Manaus e recebe intenso fluxo diário de veículos. Para moradores, episódios como o rompimento da tubulação demonstram que, sem planejamento e fiscalização mais rigorosa, investimentos públicos em recapeamento acabam sendo comprometidos por intervenções posteriores na rede subterrânea.
Enquanto aguarda a manifestação da concessionária, a expectativa da comunidade é de que o reparo seja executado com qualidade suficiente para evitar novos vazamentos e impedir que o problema volte a se repetir em uma via considerada estratégica para a mobilidade da região.







