Depois de um período de quase dois anos marcado pela baixa execução e pela ausência de novas ligações, o Luz para Todos volta a ter obras no Amazonas. A Âmbar Energia, que assumiu a concessão de distribuição de energia no estado há cinco meses, iniciou nesta terça-feira (22), em Iranduba, uma nova frente do programa, com previsão de R$ 785,9 milhões em investimentos e 18.775 novas ligações ao longo de um ano.

A dimensão da retomada fica mais evidente quando comparada aos dois anos anteriores. Em 2024, das 4.808 ligações previstas, somente 291 foram executadas. Já em 2025, quando a meta era atender 4 mil unidades consumidoras, nenhuma nova ligação foi concluída no Amazonas.

Agora, a primeira etapa pretende alcançar aproximadamente 94 mil pessoas, principalmente moradores de áreas rurais, ribeirinhas e comunidades remotas, onde o acesso regular à eletricidade ainda é limitado ou inexistente.

A retomada ocorre após a formalização dos contratos necessários à execução das obras do programa.

Primeiras obras alcançam 4.688 moradias

O novo cronograma começou por Iranduba, onde estão previstas 630 ligações. Nesta quarta-feira (23), as atividades chegam a Presidente Figueiredo, município que terá 1.527 unidades consumidoras atendidas.

Na quinta-feira (24), será a vez de Rio Preto da Eva, com 879 ligações. Na sexta-feira (25), os trabalhos começam no ramal da Água Branca, a partir do sub-ramal do Zacarias, no quilômetro 32 da AM-010, na zona rural de Manaus.

Somente nessas quatro áreas serão 4.688 moradias atendidas, quase um quarto das 18.775 ligações programadas para esta primeira etapa.

Programa chegará a 54 municípios com novas redes

A retomada do Luz para Todos será dividida entre a expansão da rede elétrica convencional e a instalação de sistemas individuais de energia solar.

Na modalidade convencional, serão construídos 1.865 quilômetros de redes de média tensão, além da instalação de postes, transformadores, cabos e demais equipamentos necessários para levar a distribuição até as residências.

Essa frente prevê 11.517 novas ligações em 54 municípios amazonenses, com investimento de R$ 423,8 milhões. A estimativa é beneficiar 57.585 pessoas.

A extensão territorial do Amazonas, entretanto, torna inviável levar a rede convencional a todas as comunidades. Por isso, uma parcela expressiva dos investimentos será destinada a soluções isoladas de geração de energia.

Energia solar chegará a comunidades isoladas

Nas localidades em que a extensão da rede não for tecnicamente viável, serão instalados sistemas individuais de geração de energia, compostos por placas solares, inversores, baterias e equipamentos para produção e armazenamento de eletricidade.

Serão 7.258 ligações desse tipo em 18 municípios, com investimentos de R$ 362 milhões e previsão de alcançar 36.290 pessoas.

A modalidade é direcionada especialmente às comunidades isoladas, onde as grandes distâncias, a geografia amazônica e a dependência do transporte fluvial tornam mais complexa a implantação e manutenção de redes convencionais.

Somadas, as duas frentes chegarão às 18.775 unidades consumidoras previstas, sendo 11.517 por redes convencionais e 7.258 por sistemas remotos.

CDE financiará R$ 707 milhões

Dos R$ 785,9 milhões previstos para a retomada, R$ 707,3 milhões serão provenientes da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo do setor elétrico utilizado para financiar políticas públicas, entre elas a universalização do acesso à energia elétrica.

Outros R$ 78,6 milhões correspondem à participação do agente executor.

A nova etapa do Luz para Todos ocorre cinco meses depois de a Âmbar assumir a concessão no Amazonas e coloca como primeiro desafio recuperar a execução de um programa que praticamente ficou estagnado no estado nos dois anos anteriores.

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