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A ONG Anistia Internacional acusou Israel de promover uma política de deslocamento forçado de comunidades palestinas na Cisjordânia ocupada e afirmou que as ações configuram um crime contra a humanidade. A organização também pediu uma reação mais firme da comunidade internacional diante do avanço dos assentamentos israelenses na região.

Em relatório divulgado nesta quarta-feira (10), a entidade aponta que 27 comunidades beduínas e pastoris foram deslocadas ou enfrentam risco iminente de deslocamento entre 2023 e 2025 na chamada Área C da Cisjordânia, território que representa cerca de 60% da região e permanece sob controle israelense.

Segundo a Anistia Internacional, autoridades israelenses têm incentivado a expansão dos assentamentos e adotado medidas que reduzem a presença palestina no território. A organização afirma que o atual governo israelense intensificou a ocupação por meio da ampliação de assentamentos, da apropriação de terras e do fortalecimento do apoio logístico e financeiro aos colonos.

A ONG sustenta que a combinação dessas políticas com episódios recorrentes de violência praticados por colonos tem contribuído para a saída forçada de comunidades palestinas da região.

De acordo com dados citados no relatório, mais de 500 mil israelenses vivem atualmente em assentamentos na Cisjordânia, enquanto cerca de três milhões de palestinos residem no território. As Nações Unidas consideram esses assentamentos ilegais sob o direito internacional.

Crescimento da violência e apelos por medidas internacionais

A Anistia Internacional destaca que a violência na Cisjordânia aumentou significativamente desde o início da guerra na Faixa de Gaza, desencadeada após os ataques do Hamas contra Israel em outubro de 2023.

Dados do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) indicam que, desde o início deste ano, a média de ataques atribuídos a colonos israelenses chegou a seis ocorrências por dia.

Embora o governo israelense afirme que esses episódios são praticados por indivíduos isolados, a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, argumenta que o deslocamento de comunidades palestinas ocorre dentro de uma política apoiada pelo Estado.

A organização também criticou a falta de ações concretas por parte de países que se opõem à anexação da Cisjordânia e defendeu medidas como restrições comerciais e financeiras relacionadas à ocupação do território.

Recentemente, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos também manifestou preocupação com a situação na Cisjordânia e apontou sinais de deslocamento forçado de populações palestinas na região.

Com informções de Metrópoles

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