Rafaela Felicciano/Metrópoles

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu o registro do Emrelis, medicamento à base de telisotuzumabe vedotina, desenvolvido pela farmacêutica AbbVie para o tratamento de determinados casos de câncer de pulmão.

A autorização consta na Resolução-RE nº 4.078, de 16 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira (19/10).

Segundo a fabricante, o medicamento é indicado para pacientes adultos com câncer de pulmão de não pequenas células, do tipo não escamoso, que já passaram por tratamento anterior.

A indicação contempla casos de doença localmente avançada ou metastática, desde que os tumores apresentem alta expressão da proteína c-Met, identificada por meio de exame específico.

Medicamento atua diretamente em células com alta expressão de proteína

O Emrelis pertence à classe dos conjugados anticorpo-fármaco, tratamentos que combinam um anticorpo com uma substância capaz de interferir no crescimento e na sobrevivência das células tumorais.

O anticorpo reconhece a proteína c-Met presente na superfície das células e transporta o agente terapêutico para seu interior, onde atua sobre os mecanismos celulares.

A estratégia busca direcionar o tratamento às células que apresentam maior quantidade da proteína, embora células saudáveis também possam ser afetadas.

Conforme as orientações da fabricante, o medicamento é administrado por infusão intravenosa, com duração aproximada de 30 minutos, a cada duas semanas.

A utilização depende de avaliação médica e da confirmação de que o paciente atende aos critérios estabelecidos para o tratamento.

Registro prevê duas apresentações e exige acompanhamento médico

No Brasil, a autorização da Anvisa contempla duas apresentações do Emrelis, de 20 mg e 100 mg, disponibilizadas em pó para preparo de solução destinada à infusão intravenosa.

O registro concedido pela agência tem validade até outubro de 2029.

Entre os possíveis efeitos adversos relatados pela fabricante estão fadiga, diminuição do apetite e inchaço.

O tratamento também pode provocar complicações mais graves, incluindo alterações nos nervos periféricos, problemas pulmonares, reações oculares e efeitos associados à infusão.

Por esse motivo, os pacientes precisam de acompanhamento médico durante a utilização do medicamento, com monitoramento da resposta ao tratamento e de possíveis reações adversas.

Dependendo da avaliação clínica, pode ser necessário ajustar a dose, interromper temporariamente a administração ou suspender definitivamente o uso.

A concessão do registro sanitário autoriza a comercialização do medicamento no Brasil, mas não significa sua disponibilização automática pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Com informações de Metrópoles
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