
O governo federal vai intensificar a participação das Forças Armadas no combate aos incêndios florestais que castigam o Amazonas e provocam uma grave crise de fumaça em Manaus e municípios do interior. O anúncio foi feito neste domingo (18) pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, logo após desembarcar na Base Aérea de Ponta Pelada, na zona sul da capital amazonense.
“As Forças Armadas vão entrar fortemente e o governo federal vai apoiar tudo o que for necessário”, afirmou o ministro, ao assegurar que a União está preparada para ampliar o envio de pessoal, equipamentos e recursos financeiros conforme as necessidades identificadas pelas equipes que atuam no enfrentamento dos incêndios.
A declaração ocorreu durante a chegada de uma comitiva formada por quatro ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mobilizada após um pedido de providências urgentes feito pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM) ao Palácio do Planalto, no sábado (17).
Wellington César Lima e Silva explicou que o governo federal não pretende limitar sua atuação aos recursos já disponibilizados. Segundo ele, os ministérios envolvidos receberam autorização para ampliar os investimentos diante da gravidade da situação.
“Ficou determinado que aquilo que for necessário nós apoiaremos, de recurso de toda ordem”, declarou.
O ministro acrescentou que os responsáveis pelas áreas de Integração e Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente poderão reforçar o orçamento destinado às operações.
“O ministro Waldez, o ministro Capobianco, além dos recursos já aportados, têm autorização para incrementar esses recursos na medida que for necessário”, assegurou.
Força-tarefa chega após pedido de Eduardo Braga a Lula
A mobilização federal ocorreu um dia depois de Eduardo Braga procurar o presidente Lula, a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, para solicitar uma resposta emergencial à crise ambiental.
Na Base Aérea de Ponta Pelada, Braga recebeu a comitiva ao lado do prefeito de Manaus, Renato Junior. Além de Wellington César Lima e Silva, desembarcaram os ministros José Múcio Monteiro, da Defesa; Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional; e João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Também participaram da mobilização o presidente do Ibama, Jair Schmitt, e representantes dos ministérios da Saúde e da Casa Civil.
Para Braga, a chegada dos ministros demonstra a disposição do governo federal de agir rapidamente diante de uma situação que afeta diretamente a saúde da população amazonense.
“O governo federal deu uma pronta resposta a partir do acionamento no dia de ontem. Falei com o presidente Lula, falei com a ministra Miriam, falei com o ministro Múcio e hoje eles já estão aqui na cidade de Manaus, demonstrando a responsabilidade do governo federal para com uma causa tão importante como essa”, destacou o senador.
Operação terá 16 aeronaves e equipamentos para lançamento de água
Entre as medidas anunciadas está a ampliação da estrutura aérea de combate aos incêndios, que passará de 11 para 16 aeronaves, incluindo aviões e helicópteros.
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, confirmou que as Forças Armadas também disponibilizarão equipamentos para lançar grandes volumes de água sobre áreas atingidas pelo fogo.
Segundo ele, serão utilizadas 70 caixas com capacidade de mil litros de água cada, transportadas por aeronaves militares.
“É como se fosse uma chuva. Pode levar 14, 15 caixas d’água dentro do avião. É uma providência importantíssima”, explicou Múcio.
O ministro garantiu que Marinha, Exército e Aeronáutica estarão mobilizados para reforçar as operações.
“As forças estão absolutamente à disposição, com todos os seus equipamentos”, afirmou.
Também está prevista a instalação de uma estrutura de Estado-Maior em Manaus para coordenar a atuação conjunta das três Forças Armadas e facilitar o deslocamento de equipes e equipamentos às regiões mais atingidas.
Governo federal poderá ampliar investimentos para mais de R$ 100 milhões
Além do reforço operacional, o governo federal já empenhou R$ 14 milhões para ações emergenciais e analisa projetos que somam mais de R$ 100 milhões destinados ao apoio do Governo do Amazonas e dos municípios afetados.
De acordo com Eduardo Braga, os projetos estão sob análise do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e poderão resultar na liberação de novos recursos, conforme a avaliação das necessidades.
“O ministro Waldez anunciou que já está em posse de projetos elaborados no montante de mais de cem milhões de reais para apoio ao Governo do Estado e aos municípios envolvidos”, informou.
Os valores relacionados aos projetos ainda dependem de análise e definição das medidas a serem executadas.
Incêndios criminosos também estarão na mira das autoridades
A atuação do Ministério da Justiça não ficará restrita ao apoio logístico. A pasta também deverá reforçar a participação das forças federais de segurança nas investigações sobre possíveis incêndios criminosos.
A medida ganha importância diante das suspeitas de ações humanas deliberadas na origem de parte dos focos de incêndio que atingem a região amazônica.
A estratégia envolve a integração dos órgãos de segurança e fiscalização ambiental, com o objetivo de identificar responsáveis, reunir provas e contribuir para a responsabilização criminal dos envolvidos.
Após o desembarque, os ministros seguiram para uma reunião na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), onde seriam discutidas as necessidades de pessoal, equipamentos e recursos para ampliar as operações.
Fumaça preocupa autoridades e mobiliza reforço na saúde
Os impactos dos incêndios sobre a saúde da população também entraram na agenda da força-tarefa.
Está prevista para terça-feira (20) a instalação de uma base descentralizada da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) em Manaus, destinada a apoiar a rede de atendimento e acompanhar os efeitos da exposição à fumaça.
Durante a recepção aos ministros, Eduardo Braga chamou atenção para uma das consequências mais preocupantes da crise: a fumaça produzida por incêndios em regiões distantes alcança Manaus, prejudicando milhares de moradores.
“Manaus está sendo uma grande vítima. E olha que coisa mais incongruente: Manaus não tem focos de fogo e está sendo vítima da fumaça, exatamente pagando o preço do que está acontecendo na Amazônia brasileira”, declarou o senador.
Braga também manifestou preocupação com a situação de Autazes, onde os incêndios vêm provocando transtornos à população, e informou que acompanha as ações de enfrentamento em contato com a administração municipal.
Ao final, o parlamentar fez um apelo para que a população evite qualquer prática que possa provocar novos focos de incêndio durante o período de estiagem.
“Não coloquemos fogo em nada, seja para a agricultura, seja no quintal da nossa casa. Qualquer bituca de cigarro, qualquer centelha de fogo, pode provocar um grande incêndio”, alertou.
A expectativa agora é que o reforço anunciado pelo governo federal se traduza em operações mais intensas nos municípios atingidos, redução dos focos de incêndio e melhoria das condições do ar, especialmente nas áreas onde a fumaça já compromete a rotina e a saúde dos moradores.







