
A asma está entre as doenças crônicas mais comuns na infância, mas nem todas as crianças apresentam as crises da mesma forma. Enquanto algumas sofrem piora durante a madrugada, outras têm os sintomas desencadeados pelo frio, esforço físico ou até por momentos de choro. Há ainda diferenças no comportamento durante as crises, com algumas crianças demonstrando ansiedade e agitação, enquanto outras ficam mais quietas e retraídas. Na homeopatia, essas características individuais são consideradas fundamentais para definir a conduta terapêutica.
O conceito é conhecido como individualização e representa um dos principais pilares da prática homeopática. Em vez de considerar apenas o diagnóstico, a avaliação busca compreender como cada paciente manifesta a doença, levando em conta sintomas físicos, fatores que desencadeiam ou aliviam as crises, além de aspectos emocionais e comportamentais.
Criada no fim do século XVIII pelo médico alemão Samuel Hahnemann, a homeopatia baseia-se no princípio similia similibus curantur, expressão em latim que significa “o semelhante cura o semelhante”. A proposta consiste na utilização de substâncias que, quando administradas em pessoas saudáveis, provocam sintomas semelhantes aos da doença que se pretende tratar. Após passarem por sucessivas diluições e dinamizações, essas substâncias são empregadas conforme as características individuais de cada paciente.
Segundo essa abordagem, pessoas com o mesmo diagnóstico podem necessitar de tratamentos diferentes, já que a intensidade dos sintomas, o horário em que aparecem, os fatores desencadeantes e até as reações emocionais variam de um indivíduo para outro.
Durante uma consulta voltada para crianças com asma, a avaliação vai além da presença de chiado ou dificuldade para respirar. O homeopata observa, por exemplo, em que momento do dia a crise costuma ocorrer, se o quadro piora com frio, esforço físico ou choro, qual posição a criança adota para respirar melhor e como ela reage emocionalmente diante da falta de ar.
Essas informações ajudam a diferenciar quadros clínicos que, apesar de apresentarem o mesmo diagnóstico, possuem manifestações distintas. Uma criança que apresenta piora entre a meia-noite e as duas da manhã, acompanhada de ansiedade intensa e sede frequente por pequenos goles de água, pode receber uma indicação diferente daquela que apresenta tosse intensa com acúmulo de secreção e episódios de náusea ou vômito.
Da mesma forma, bebês que despertam subitamente durante a noite com sensação de sufocamento ou crianças cuja tosse seca melhora após ingerirem líquidos mornos representam situações clínicas distintas dentro da lógica da individualização adotada pela homeopatia.
Além dos aspectos físicos, fatores emocionais também fazem parte da avaliação. Situações como medo, conflitos familiares, perdas ou acontecimentos marcantes podem ser consideradas durante a consulta, juntamente com os demais sinais apresentados pela criança.
Entre os medicamentos utilizados na homeopatia para pacientes com asma estão Arsenicum album, Ipecacuanha, Sambucus nigra, Spongia tosta e Kali carbonicum. De acordo com essa prática, a escolha não é baseada apenas na doença, mas no conjunto de características individuais observado em cada paciente.
A proposta terapêutica da homeopatia é favorecer o equilíbrio do organismo a partir de uma análise global do paciente, considerando que crianças com o mesmo diagnóstico podem apresentar necessidades diferentes de cuidado.
Conteúdo assinado por Dra. Ana Maria Venturi, pediatra, homeopata e cardiologista infantil (CRM-SP 39.967).







