Foto: Matheus Rodrigues / Aleam

A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) foi palco, nesta quinta-feira (20/8), do lançamento do livro “Raízes do Autismo – Pé de Mamão Não Dá Limão”, de autoria da escritora Gizele Rocha Aguiar. O evento ocorreu no mini plenário Cônego Azevedo, às 9h, acompanhado de uma palestra ministrada pela autora sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Na mesma ocasião, Gizele tomou posse como nova imortal da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (ALACA), passando a ocupar a cadeira número 431.

Acolhimento e compromisso legislativo

A realização do evento reforça a atuação do Poder Legislativo amazonense na formulação de leis e políticas públicas voltadas às pessoas com TEA.

Como exemplo prático dessa rede de apoio, a Aleam conta com o Centro Sensorial Dr. Hamilton Cidade, espaço multidisciplinar voltado ao atendimento e desenvolvimento de crianças de até 12 anos com diagnósticos neurodivergentes.

Representando a Casa Legislativa, o diretor de Saúde da Aleam, médico Arnoldo Andrade, destacou a relevância de abrir espaço para debates sobre a neurodiversidade.

“Aqui tratamos de pautas demandadas pela sociedade, e hoje, com o crescente número de diagnósticos de TEA, esta é uma pauta social que a Aleam não se furta em debater. Que os debates possam trazer conhecimento, para que todos entendam a necessidade da inclusão e acolhimento aos pacientes e suas famílias”.

Diagnóstico tardio e representatividade

Fisioterapeuta, educadora física, escritora e palestrante, Gizele Aguiar compartilhou sua trajetória pessoal até descobrir o diagnóstico de TEA aos 42 anos, acompanhado de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e altas habilidades. Após uma infância marcada pelo bullying e desafios que culminaram em um quadro depressivo na vida adulta, o diagnóstico neuropsicológico funcionou como uma chave de virada e compreensão de sua história.

A obra “Raízes do Autismo – Pé de Mamão Não Dá Limão” busca dar visibilidade às dificuldades enfrentadas por pessoas neurodivergentes e suas famílias, especialmente no ambiente escolar e nos serviços de saúde.

“Vejo um conflito na relação família x escola, onde a criança neurodivergente não está encaixada no comportamento padrão. Vendo tudo isso, e após o meu diagnóstico, consegui expressar por meio do livro o que também vivi quando criança. Falei por mim e por estas crianças invisibilizadas”, explicou Gizele.

Importância do diagnóstico

Durante sua explanação, a escritora falou sobre a importância do diagnóstico, mas também da empatia. “Você não veio errado. Eu te vejo, vou ter paciência com você, vou te escutar, vou validar sua sensibilidade”, apontou Gizele.

Posse

Sobre a posse na ALACA, a autora ressaltou o caráter coletivo de sua conquista.

“Quando olho para a minha trajetória, para o diagnóstico tardio, para tudo o que vivi, estudei e transformei em propósito, percebo que ocupar esse espaço também significa representar muitas pessoas que ainda estão buscando ser compreendidas e reconhecidas”, resumiu.

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