Uma multidão de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomou as ruas do Centro de Manaus neste sábado (24), véspera do segundo turno das eleições presidenciais. Batizada de “Vira Vira Lula”, a manifestação reuniu, segundo estimativa dos organizadores, cerca de 250 mil pessoas, em uma mobilização que coincidiu com as comemorações dos 357 anos da capital amazonense.

O público ocupou o Largo de São Sebastião, a avenida Eduardo Ribeiro, a rua 10 de Julho e áreas próximas. A estimativa de participantes foi divulgada pela organização do evento e não há, nas informações fornecidas, confirmação por órgãos independentes.

A manifestação reuniu militantes, representantes de movimentos sociais, estudantes, trabalhadores e lideranças políticas, em uma demonstração pública de apoio à candidatura de Lula na reta final da disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL).

Uma das coordenadoras do evento, a psicóloga Marília Freire, afirmou que a mobilização superou as expectativas dos organizadores, que pretendiam reunir um público maior do que o registrado no ato do último dia 11.

“Estimamos que 250 mil pessoas participaram deste ato. Nossa expectativa era superar a mobilização do dia 11, e essa presença mostra a força que construímos juntos. Sabíamos que seria difícil enfrentar a imagem de Manaus como uma cidade inteiramente bolsonarista, mas mostramos nas ruas que existe uma parcela forte e mobilizada da população que acredita em um projeto de país mais inclusivo”, declarou.

Marcelo Ramos destaca participação espontânea de apoiadores

O coordenador da campanha presidencial no Amazonas, Marcelo Ramos (PT), destacou a participação espontânea de eleitores que confeccionaram materiais, personalizaram camisetas e organizaram atividades de campanha por iniciativa própria.

Segundo ele, a mobilização representa uma mudança em relação a disputas eleitorais anteriores, quando parte dos apoiadores de Lula evitava participar de manifestações públicas por receio de episódios de violência política.

“Essa eleição nós encorajamos as pessoas, aquecemos o coração delas e, por isso, hoje tem dois times dentro de campo disputando uma partida”, afirmou.

Marcelo também chamou atenção para o envolvimento voluntário dos participantes.

“Eu nunca vi no Amazonas campanha em que as pessoas compram suas camisas, levam suas camisas para pintar, se mobilizam, brigam para adesivar seu carro, rodam seu próprio material quando falta material. É uma atitude militante”, declarou.

Para o coordenador, a participação registrada neste sábado simboliza uma nova dinâmica de organização política na capital amazonense.

Ato ecumênico e homenagem às vítimas da pandemia marcam manifestação

Além das manifestações políticas, a programação teve momentos de celebração religiosa e homenagem às vítimas da Covid-19.

O evento começou com um ato ecumênico que reuniu cristãos, praticantes de religiões de matriz africana e daimistas. A cerimônia destacou a diversidade religiosa entre os participantes.

Outro momento da manifestação foi um cortejo fúnebre performático em memória das pessoas que perderam a vida durante a pandemia.

Os participantes também cantaram parabéns para Manaus, em homenagem aos 357 anos da cidade, comemorados neste sábado.

Entre as pautas defendidas durante a mobilização estavam a democracia, a educação pública, os direitos sociais, a preservação ambiental e a Zona Franca de Manaus.

Eduardo Braga, Vanessa Grazziotin e outras lideranças participam

A manifestação contou com a presença de lideranças políticas que acompanharam a programação no carro de som.

Entre os participantes estavam o senador Eduardo Braga (MDB), o deputado federal Adail Filho, o ex-vice-governador Carlos Almeida Filho, o ex-deputado Eron Bezerra, a ex-senadora Vanessa Grazziotin e deputados eleitos ligados ao campo da esquerda.

Um dos coordenadores do evento, Yann Evanovick (PCdoB), afirmou que a mobilização reuniu pessoas de diferentes posições políticas.

“Na hora que as pessoas entenderam que o que está em risco é a democracia brasileira, tem muitas pessoas aqui. A maior parte não é de esquerda. São pessoas, inclusive, de direita, que estão aqui para dizer que querem que o Brasil continue sendo o Brasil”, declarou.

Yann também destacou a importância das políticas de educação pública e relatou sua trajetória como estudante de escola e universidade públicas.

Entre os participantes estava Maria Antônia Diogo, acompanhada do filho, Ramon, que atribuiu sua formação acadêmica às políticas educacionais implementadas durante os governos de Lula.

“Eu sou uma pessoa que conseguiu terminar um doutorado justamente por conta das políticas públicas feitas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou Ramon.

Organizadores defendem continuidade da mobilização após as eleições

Mesmo com o encerramento da campanha eleitoral neste domingo (25), os organizadores afirmaram que pretendem manter a articulação entre movimentos sociais, entidades estudantis, sindicatos e partidos políticos.

Yann Evanovick declarou que a participação popular construída durante a campanha deverá continuar independentemente do encerramento do processo eleitoral.

“A mobilização não acaba no dia 25. O Exército de Lula continuará mobilizado e pronto para barrar os retrocessos que esse projeto de poder que tomou o Congresso Nacional tentará implementar”, afirmou.

O ato “Vira Vira Lula” integra uma série de manifestações realizadas em Manaus durante o segundo turno. No domingo passado (18), apoiadores do presidente também se reuniram no Parque Gigantes da Floresta, no bairro Novo Aleixo.

A mobilização deste sábado encerra mais uma etapa das atividades de rua dos apoiadores de Lula no Amazonas, às vésperas da votação que definirá o próximo presidente da República.

 

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