
A ausência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro marcou a convenção do PL do Distrito Federal realizada neste domingo (2), em Brasília. Internada durante o dia por causa de uma crise de enxaqueca, Michelle não participou do evento e acabou adiando o esperado reencontro público com o senador Flávio Bolsonaro (PL-DF), que seria interpretado como um gesto de reaproximação após semanas de divergências internas no partido.
A presença da ex-primeira-dama era aguardada por dirigentes do PL como um sinal de pacificação entre ela e o enteado. O relacionamento entre os dois ficou desgastado ao longo de julho em meio a desentendimentos relacionados à formação de chapas eleitorais no Ceará.
Nos bastidores, lideranças da legenda, entre elas o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e a senadora Damares Alves, atuaram para reduzir a tensão. Como parte desse movimento, Michelle gravou um vídeo afirmando que aceitava o pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro e que estava disposta a conversar para alinhar posições, embora esse encontro ainda não tenha ocorrido.
A convenção do PL no Distrito Federal também serviria para fortalecer a pré-candidatura de Michelle ao Senado e demonstrar apoio público à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Apesar de ter participado da convenção nacional do partido, realizada em 25 de julho, ela fez sua manifestação apenas por vídeo, citando o senador uma única vez.
Na última sexta-feira, Michelle se reuniu com Valdemar Costa Neto para discutir uma possível candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Ao deixar o encontro, afirmou que ainda conversaria com o ex-presidente Jair Bolsonaro antes de tomar uma decisão definitiva e ressaltou que sua prioridade continua sendo acompanhar a recuperação do marido.
Bolsonaro segue em prisão domiciliar e se recupera de um quadro de broncopneumonia diagnosticado em março, além de enfrentar problemas gástricos recorrentes. Segundo Michelle, a condição de saúde do ex-presidente e as restrições impostas pelo regime domiciliar dificultam sua participação ativa na campanha eleitoral.
“Estou presa com o meu marido, o que me impossibilita de fazer campanha. Mas estou cuidando dele. Essa é minha prioridade. Não posso contar com ninguém nesse momento”, declarou a ex-primeira-dama a jornalistas na sexta-feira.
A chapa apoiada pelo PL no Distrito Federal inclui a deputada federal Bia Kicis como candidata ao Senado, além do apoio à atual governadora Celina Leão (PP). A vaga inicialmente destinada ao ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) ficou disponível após sua desistência, motivada por investigações relacionadas a supostas operações fraudulentas envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
Pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas divulgada em 20 de julho mostra Michelle Bolsonaro com 36% das intenções de voto na disputa por uma das duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal. A atual senadora Leila do Vôlei (PDT) lidera numericamente o levantamento com 39,2%, enquanto a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) aparece em terceiro lugar, com 28,4%. Neste ano, cada unidade da federação elegerá dois senadores.







