
A avó paterna e a madrasta do menino Kratos Douglas, de 11 anos, encontrado morto na casa da família, no bairro Cidade Kemel, zona leste da capital paulista, foram presas pela Polícia Civil por omissão. Elas foram encontradas na casa de parentes, na noite dessa quarta-feira (13/5), em Santo André, na Grande São Paulo. O pai da criança, Chris Douglas, foi preso no dia do crime e admitiu que acorrentava o filho “para ele não fugir de casa”.
Aparecida Gonçalves, de 81 anos, e Camilla Barbosa Dantas Felix, de 42, atual esposa de Chris, foram alvo de mandado de prisão temporária. As mulheres foram localizadas na casa de parentes, por volta das 22h30, após saírem do imóvel onde moravam na zona leste devido a manifestações de moradores.
Segundo a Polícia Civil, as presas foram levadas ao 63° Distrito Policial (DP), na Vila Jacuí, onde vão passar por audiência de custódia na manhã desta quinta-feira (14/5).
A polícia aguarda laudos para apontar as causas da morte e se houve abuso sexual.
Fotos divulgadas pelo site Metrópoles, mostram o imóvel bagunçado e com diversas caixas de papelão fechadas.
Histórico extenso
Chris Douglas acumula extenso histórico na polícia. Desde 1999, o homem está ligado a episódios de violência, entre eles, o de agredir a ex-esposa, mãe do menino morto, em 2021.
Ele era professor, mas, trabalhava como motorista de aplicativo.
A lista de “movimentações” policiais de Chris Douglas, à qual o Metrópoles teve acesso, tem registros desde o fim da década de 1990.
O período mostra que o pedagogo foi relacionado como autor em três boletins de ocorrência nos anos de 2018 e 2021. Desses, um foi registrado pela ex-esposa, mãe de Kratos. À época, a Justiça concedeu medida protetiva para mulher. O inquérito foi arquivado, em junho de 2022, por determinação judicial.
Entenda o caso
- O caso veio à tona depois que socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) notificaram a PM sobre um garoto morto com suspeita de maus-tratos.
- Policiais encontraram Kratos Douglas caído no chão, próximo da cama de um dos quartos do imóvel, com hematomas nos braços, nas mãos e nas pernas.
- Chris Douglas, pai de Kratos, afirmou, em depoimento aos PMs, que tinha o hábito de acorrentar o filho para impedi-lo de ir à rua. Negou praticar outro tipo de violência ou tortura.
- A vítima não estava matriculada na escola. Além disso, apresentava sinais de desnutrição.
- A madrasta e a avó paterna de Kratos tinham ciência de que o menino era acorrentado.
- Outras duas crianças foram encontradas no local. Uma delas tem diagnóstico de autismo.
- A casa passou por perícia.
- A residência em que o menino foi encontrado morto contava com uma central de monitoramento interno. As imagens serão analisadas pela Polícia Civil.
- Durante a ação realizada pela Polícia Militar (PM), foram apreendidos computadores, notebook, tablet, três celulares e seis cartões de memória.







