Reprodução/Redes sociais

O maranhense Mateus Sandyel, de 24 anos, morreu em combate na guerra entre Ucrânia e Rússia na última sexta-feira (31/7), segundo informou sua mãe, Diana Silva, por meio das redes sociais. Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) ainda não confirmou oficialmente o óbito.

De acordo com Diana, a notícia foi comunicada por um brasileiro que combatia ao lado do filho na Ucrânia. Ela afirmou que Mateus costumava evitar falar sobre os perigos da guerra durante as conversas com a família.

“Meu filho me poupava de muitas notícias ruins. Quando falava comigo, era apenas sobre a nossa vida e o nosso cotidiano. Eu não tinha noção da maldade que ele iria passar.”

A mãe também relatou dificuldades para recuperar o corpo do filho e disse depender da ajuda de outros brasileiros que atuam no conflito.

“Estou só dependendo da boa vontade dos colegas arregaçarem as mangas e tentarem resgatar o corpo dele.”

Mateus integrava o 425º Esquadrão Skala, unidade das Forças Armadas da Ucrânia especializada em reconhecimento aéreo e operações de assalto. A organização recruta combatentes estrangeiros e divulga remuneração de aproximadamente US$ 2,8 mil por mês.

Poucas semanas antes de desaparecer, em 13 de julho, o jovem publicou um vídeo nas redes sociais informando que participaria de uma missão para construir um acampamento em uma área de mata.

“Vamos construir um acampamento do zero. Vamos ficar mais ou menos um mês sem sinal.”

Brasileiros lamentam a morte

Nas redes sociais, brasileiros que também atuam nas forças ucranianas prestaram homenagens a Mateus, conhecido pelo apelido de “Pracinha”.

Um combatente identificado como Badboy na Ucrânia escreveu:

“Hoje me despeço de um irmão de batalha. Sua coragem, lealdade e amizade jamais serão esquecidas.”

Outro brasileiro, que utiliza o perfil “Cobra Ucrânia”, compartilhou um vídeo de Mateus e publicou a mensagem:

“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Descansa em paz, irmão.”

Brasileiros mortos ou desaparecidos no conflito

Segundo o Itamaraty, desde o início da guerra, em 2022, 127 brasileiros foram registrados como mortos ou desaparecidos em combate, sendo:

  • 35 mortos;
  • 92 desaparecidos.

O Ministério das Relações Exteriores reforça o alerta para os riscos enfrentados por brasileiros que decidem participar de conflitos armados no exterior. O órgão destaca que a assistência consular pode ser limitada nesses casos e lembra que combatentes brasileiros podem responder judicialmente por crimes eventualmente cometidos durante o conflito, conforme tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Com informações de Metrópoles

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