O interrogatório do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa, acusado de matar a policial militar Gisele Alves Santana, foi adiado novamente pela Justiça. A oitiva, que estava marcada para 8 de setembro, foi remarcada para 5 de outubro, um dia após o primeiro turno das eleições. O adiamento foi solicitado pela defesa do oficial, que alegou a necessidade de acesso a materiais que fazem parte do laudo pericial elaborado pelo Instituto de Criminalística.

Segundo os advogados de Geraldo Leite Rosa, gravações e vídeos utilizados na elaboração do laudo ainda não teriam sido anexados aos autos do processo. O documento pericial aponta que a morte de Gisele não teria sido um suicídio, hipótese inicialmente considerada na investigação.

A defesa entrou com um pedido para que o interrogatório fosse remarcado até que todo o material relacionado à perícia estivesse disponível no processo. A Justiça aceitou o pedido sob o argumento de garantir ao acusado o pleno exercício do direito de defesa e evitar uma possível alegação futura de cerceamento.

A decisão também levou em consideração a necessidade de que a defesa tenha acesso integral aos elementos que poderão ser utilizados no processo. Com isso, o depoimento do tenente-coronel ocorrerá somente em outubro.

O advogado José Miguel da Silva Júnior, que representa a família de Gisele, criticou a estratégia adotada pela defesa. Segundo ele, os advogados de Geraldo estariam utilizando o princípio do contraditório como justificativa para postergar o interrogatório.

Na avaliação do representante da família, o sucessivo adiamento poderia contribuir para que o caso perdesse espaço na opinião pública com o passar do tempo. O advogado considera que, em tese, essa situação poderia beneficiar o acusado.

Geraldo Leite Rosa está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde março. Ele é investigado e acusado pela morte de Gisele Alves Santana, cuja versão de suicídio passou a ser questionada após a conclusão das análises periciais.

O laudo produzido pelo Instituto de Criminalística identificou incompatibilidades entre a versão apresentada inicialmente para explicar a morte e os vestígios encontrados no apartamento onde o corpo da policial foi localizado.

Entre os elementos analisados estão os padrões de manchas de sangue encontrados no imóvel e outras evidências coletadas durante a perícia. De acordo com o documento, esses vestígios não seriam compatíveis com a hipótese de que Gisele teria tirado a própria vida.

A conclusão da perícia passou a ter papel central na investigação e deverá ser considerada ao longo do processo. A defesa, por sua vez, sustenta a necessidade de analisar integralmente os materiais utilizados pelos peritos antes que o oficial seja interrogado.

Com a nova decisão, Geraldo Leite Rosa deverá ser ouvido em 5 de outubro. Até lá, a defesa terá tempo para acessar os elementos que afirma não terem sido disponibilizados nos autos. O caso continua sob investigação e a Justiça deverá analisar as provas reunidas para definir os próximos passos do processo.

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