
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (4) que espera que a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 avance no Senado após o primeiro turno das eleições. Em entrevista à Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte (CE), o presidente disse não entender por que a matéria ainda não foi levada ao plenário e afirmou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria se comprometido a colocar a proposta em votação depois da primeira etapa do processo eleitoral.
Lula afirmou que aguardava a análise da proposta e classificou como uma “pena” o fato de o texto não ter sido votado durante a semana de esforço concentrado do Congresso. Segundo o presidente, Alcolumbre teria informado aos senadores que a votação seria realizada após o primeiro turno das eleições.
“Eu não sei [quando irá ao plenário do Senado]. Eu sinceramente fiquei com uma dúvida por que não foi aprovado porque aprovou quase tudo. Só ficou para ser votado a escala 6×1 e a PEC da Segurança”, declarou Lula durante a entrevista.
O presidente afirmou ainda que, apesar da ausência de votação dessas duas propostas, o governo conseguiu aprovar outras matérias consideradas importantes durante a semana de esforço concentrado, iniciada na segunda-feira (31).
Entre os projetos aprovados estão o marco regulatório das terras raras e a proposta que encerra a chamada “taxa das blusinhas”. Para Lula, essas medidas representam avanços considerados relevantes para a agenda defendida pelo governo.
A proposta relacionada à escala 6×1 avançou na quarta-feira (2), quando foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O texto trata da redução da jornada de trabalho e agora depende de novas etapas de tramitação antes de uma eventual votação definitiva.
A PEC da Segurança, outra das matérias citadas por Lula, também teve avanço na CCJ durante a semana. Os senadores aprovaram o texto-base da proposta, mas encerraram a sessão sem votar três trechos que haviam sido destacados para análise separada.
A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 estão entre os temas considerados estratégicos para o governo e ganharam espaço no debate político em meio à preparação para as eleições.
Durante a entrevista, Lula também falou sobre suas expectativas para o desenvolvimento econômico e social do país. O presidente afirmou estar “predestinado” a transformar o Brasil em uma nação formada majoritariamente por pessoas de classe média alta.
Ao defender essa visão, Lula fez uma comparação com países europeus que construíram sistemas de bem-estar social e questionou por que o Brasil não poderia alcançar um nível semelhante de desenvolvimento.
“Sabe aquele negócio que você fala dos europeus. Eles alcançaram o estado de bem estar social. Por que a gente não pode alcançar? No que o nosso povo é pior do que eles?”, afirmou.
O presidente também destacou características da população brasileira e defendeu que o país tem condições de promover um salto de desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida da população.
Lula aproveitou ainda a entrevista para rebater críticas relacionadas à responsabilidade fiscal. Segundo ele, os dois primeiros mandatos na Presidência seriam exemplos de uma política de controle das contas públicas.
O presidente afirmou que o Brasil registrou superávit primário durante os oito anos de seu primeiro período no Palácio do Planalto. Lula também disse que aprendeu desde cedo a importância de não gastar mais do que se arrecada.
“Não tem na história do Brasil, nem de direita, nem de esquerda, nem de centro, nem preto, nem branco, nem alto, nem baixo, nunca ninguém teve nesse país a responsabilidade fiscal que eu tive”, declarou.
Ao abordar o tema, Lula citou a influência de sua mãe, Lindu, em sua formação. Segundo o presidente, foi com ela que aprendeu que uma pessoa ou uma família não pode gastar continuamente mais do que ganha sem enfrentar consequências financeiras.
“Não aprendi na escola. Eu aprendi com a dona Lindu que, se a gente gastar mais do que a gente ganha, a gente vai quebrar a cara”, afirmou.
A expectativa agora é que o Senado retome a discussão sobre o fim da escala 6×1 após o primeiro turno das eleições, conforme o compromisso mencionado por Lula. A proposta ainda precisará cumprir as etapas previstas no processo legislativo antes de uma eventual aprovação definitiva.







