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A Justiça de São Paulo marcou para o dia 28 de agosto de 2026 o interrogatório do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. Réu por feminicídio qualificado e fraude processual, ele será ouvido na próxima etapa da instrução processual, que antecede a decisão sobre um eventual julgamento pelo Tribunal do Júri.

A informação foi confirmada por José Miguel, advogado que representa a família da vítima. O depoimento estava inicialmente previsto para o dia 3 de julho, mas foi adiado após a defesa solicitar a complementação do laudo pericial elaborado pelo Instituto de Criminalística. Com a conclusão da perícia complementar, o processo segue para a fase de interrogatório do acusado.

Gisele Alves Santana foi encontrada morta em 18 de fevereiro de 2026 no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, na região central da capital paulista. A policial apresentava um ferimento causado por disparo de arma de fogo na cabeça.

No início das investigações, Geraldo Leite Rosa Neto afirmou que a esposa havia tirado a própria vida enquanto ele tomava banho. No entanto, a apuração conduzida pela Polícia Civil e os laudos periciais passaram a contestar essa versão.

Segundo documentos da investigação, a perícia aponta que a vítima teria sido surpreendida por trás e imobilizada antes do disparo. Os peritos também identificaram indícios de alteração da cena do crime, incluindo manchas de sangue incompatíveis com a hipótese de suicídio e elementos que indicariam tentativa de ocultação de provas.

Com base nas investigações, o Ministério Público apresentou denúncia contra o oficial. A Justiça aceitou a acusação em 18 de julho, tornando o tenente-coronel réu pelos crimes de feminicídio qualificado e fraude processual.

Na denúncia, o Ministério Público sustenta que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e aponta as qualificadoras de motivo torpe e uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Além da acusação de feminicídio, o oficial também responde por supostamente modificar a cena do crime para dificultar as investigações.

Atualmente, Geraldo Leite Rosa Neto permanece preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo, enquanto aguarda o andamento do processo judicial. Após o encerramento da fase de instrução, caberá à Justiça decidir se o acusado será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.

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