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As investigações preliminares do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) indicam que o piloto Henrique Martin perdeu o controle da aeronave momentos antes da queda registrada na última sexta-feira (3), em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. O acidente também matou a pesquisadora alemã Lydia Möcklinghoff, reconhecida internacionalmente por seus estudos sobre a fauna do Pantanal.

De acordo com as informações iniciais da investigação, o avião havia decolado do Aeródromo Estância Santa Maria (SSKG) com destino ao Aeródromo Fazenda Barranco Alto (SSOQ), localizado em Aquidauana (MS). O trajeto previsto era de aproximadamente 200 quilômetros.

O voo tinha como finalidade o transporte de pessoal e levava duas pessoas: um tripulante e uma passageira. Durante a fase inicial de subida, a aeronave teria perdido o controle em voo e caído.

O avião, fabricado em 1983, ficou completamente destruído após o impacto. A aeronave era utilizada em operações de táxi aéreo e, conforme registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), encontrava-se em situação regular.

As causas do acidente ainda não foram oficialmente determinadas. A investigação aeronáutica permanece em andamento e não há prazo definido para a conclusão dos trabalhos.

Neblina é uma das hipóteses investigadas

Uma das principais linhas consideradas pela Polícia Civil é a possibilidade de que uma forte neblina registrada na região tenha provocado desorientação espacial no piloto, contribuindo para a perda de controle da aeronave.

A desorientação espacial pode ocorrer quando o piloto perde a percepção correta da posição, altitude ou movimento do avião, especialmente em situações de baixa visibilidade. A hipótese, no entanto, ainda depende do avanço das investigações e não representa uma conclusão definitiva sobre a causa do acidente.

Pesquisadora atuava em projeto sobre biodiversidade do Pantanal

Lydia Möcklinghoff participava de um projeto científico voltado ao estudo e acompanhamento da biodiversidade do Pantanal sul-mato-grossense. Entre suas atividades estava o Monitoramento Audiovisual da Diversidade do Pantanal, iniciativa dedicada à observação da fauna e do ecossistema da região.

A pesquisadora alemã era considerada uma referência internacional nos estudos sobre o tamanduá-bandeira. Zoóloga, ecóloga tropical, jornalista, escritora e divulgadora científica, Lydia desenvolvia pesquisas de campo no Pantanal desde o fim dos anos 2000.

Ao longo da carreira, tornou-se uma das pioneiras no acompanhamento da espécie em estudos de longa duração realizados diretamente na natureza, contribuindo para ampliar o conhecimento científico sobre o comportamento e a conservação do animal.

Trabalho reunia pesquisadores estrangeiros

Em 2021, Lydia recebeu autorização para realizar coleta de material biológico na região no âmbito do projeto Monitoramento Audiovisual da Diversidade do Pantanal.

O trabalho é coordenado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em cooperação com a Universidade de Bonn, na Alemanha.

Além de Lydia, a equipe era composta por outros dois pesquisadores alemães e cinco búlgaros, envolvidos no monitoramento da fauna e da biodiversidade do bioma. Os demais integrantes do grupo não estavam a bordo da aeronave no momento do acidente.

As circunstâncias da queda continuam sendo analisadas pelos órgãos responsáveis, enquanto as investigações buscam esclarecer os fatores que levaram à perda de controle do avião.

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