
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que a aeronave da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, não deveria ter sido liberada para decolagem. O relatório final, divulgado nesta quinta-feira (23/7), aponta que uma falha no limpador de para-brisa, aliada à previsão de chuva para o voo, impedia a autorização da operação conforme as normas de segurança.
A investigação também identificou problemas anteriores no sistema de degelo das asas da aeronave. Segundo o Cenipa, essas falhas ocorreram em voos realizados na véspera do acidente, mas não foram registradas no diário de bordo, contrariando os procedimentos exigidos.
Relatório aponta falhas operacionais e cultura de informalidade
Durante a apuração, os investigadores analisaram mais de 1,2 mil voos realizados pela companhia, além das caixas-pretas, dos motores, do sistema de degelo e de um voo experimental com outra aeronave do mesmo modelo.
O relatório concluiu que havia uma “cultura de normalização de desvios” na empresa, caracterizada pela ausência de registros formais de panes e falhas por parte de pilotos e mecânicos, comprometendo o acompanhamento das condições operacionais das aeronaves.
Paralelamente à investigação técnica do Cenipa, a Polícia Federal conduz um inquérito para apurar possíveis responsabilidades criminais relacionadas ao acidente.
O voo 2283 da Voepass caiu em 9 de agosto de 2024, durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), causando a morte de 62 pessoas. O desastre foi o mais grave da aviação brasileira desde o acidente da TAM, em 2007. Após o caso, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) cassou o certificado de operador aéreo da companhia, encerrando suas operações.
Com informações de IstoÉ







