Cláudio Castro — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, deve oficializar nesta segunda-feira (23) sua renúncia ao cargo, em uma cerimônia marcada para as 16h30 no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, zona sul da capital fluminense. A saída ocorre em meio a forte tensão política e jurídica, e já provoca movimentações nos bastidores sobre quem assumirá o comando do estado no chamado mandato-tampão.

A informação sobre a despedida de Castro foi divulgada inicialmente pelo jornal Valor Econômico, que apontou o envio de convites para uma solenidade de encerramento de mandato ainda no domingo (22). Embora o governo do estado não tenha confirmado oficialmente a decisão, a articulação interna no Palácio Guanabara e mudanças no núcleo administrativo reforçaram a expectativa de que a saída será imediata.

A renúncia acontece em um momento delicado para o governador, que responde a uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No processo, Castro é acusado de abuso de poder econômico e político durante as eleições estaduais, em um caso que envolve supostas contratações irregulares em estruturas da administração pública fluminense.

Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral, milhares de admissões temporárias teriam sido realizadas no Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisa e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A suspeita é de que essas contratações tenham sido usadas para fortalecer a base eleitoral do então candidato à reeleição.

De acordo com a denúncia, cerca de 27,5 mil pessoas foram contratadas pelo Ceperj e outras 18 mil pela Uerj. Para os investigadores, o volume expressivo de admissões teria servido como instrumento de apoio político durante o período eleitoral, tese que sustenta a ação em tramitação na Corte eleitoral.

Nos bastidores, a avaliação é de que a saída antecipada do cargo busca evitar um cenário ainda mais desgastante, caso o governador venha a ser cassado pelo TSE. A estratégia também permitiria ao grupo político de Castro tentar preservar espaço na disputa pela sucessão e influenciar a definição do nome que ficará à frente do governo até o fim do mandato.

A movimentação teria sido construída em diálogo com aliados partidários, dentro de uma tentativa de reduzir danos políticos e manter alguma capacidade de articulação no cenário fluminense. Com isso, a renúncia deixa de ser apenas uma decisão administrativa e passa a ser interpretada como uma manobra para reorganizar forças em meio à crise.

Com a vacância do cargo, o Rio de Janeiro entra em uma fase de incerteza e rearranjo político. A definição do sucessor no período de transição deverá mobilizar diferentes grupos e pode redesenhar o equilíbrio de poder no estado, em um momento considerado decisivo para o futuro da atual base governista.

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