O termômetro lá pelas bandas da Mário Ypiranga Monteiro, no refrigerado e carpetado plenário da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), registrou temperatura altíssima. Apesar de furiosas rajadas de raios e trovões, entre mortos e feridos, entretanto, salvaram-se todos, incólumes. Assim mesmo, o tempo fechou.

O plenário da Aleam viveu momentos de forte tensão após um confronto verbal entre o presidente da Casa, Roberto Cidade, e o deputado estadual Daniel Almeida, irmão do prefeito de Manaus, David Almeida.

O embate público, marcado por acusações pessoais e troca de ofensas, revelou uma rivalidade antiga entre os parlamentares e elevou o tom político dentro do Legislativo.

Durante a sessão, Daniel Almeida atacou diretamente Roberto Cidade e trouxe à tona episódios que, segundo ele, demonstrariam omissão do presidente da Aleam em situações sensíveis.

“Nunca chamei a minha esposa de puta, gorda e escrota. Minha mulher nunca foi à delegacia me denunciar”, disparou Daniel, em referência a denúncias envolvendo o colega.

Antes disso, o deputado também citou suposta articulação política nas eleições municipais de 2024 em Parintins, afirmando que uma residência de familiar de Cidade teria sido usada como base para influenciar ilegalmente o pleito.

Roberto Cidade reagiu de forma dura às acusações:

“Fui absolvido. Me respeite. Você é um moleque, não sabe o que está falando. Você é doente, vai se tratar. Você é alcoólatra”, respondeu o presidente da Casa, em meio ao clima acalorado no plenário.

A discussão só foi interrompida após a intervenção de outros parlamentares, que tentaram conter os ânimos e evitar que o confronto ganhasse proporções ainda maiores.

Apesar do esforço do chamado “deixa pra lá”, o episódio deixou evidente o desgaste interno e a disputa por hegemonia política dentro da Assembleia, em um momento em que as articulações já miram o cenário eleitoral de 2026.

Denúncias voltam ao centro do debate

O embate também reacendeu um caso delicado envolvendo Roberto Cidade. Em outubro de 2024, o parlamentar foi indiciado pela Polícia Civil por suspeita de violência doméstica, após investigação conduzida pela Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher, com base na Lei Maria da Penha.

Segundo o inquérito, haveria indícios de violência psicológica, ameaças e injúrias contra a ex-esposa, mãe de seus três filhos. A mulher apresentou laudo psiquiátrico, registros médicos, gravações de voz e conversas formalizadas em ata notarial.

Um dos relatos aponta que ela precisou de atendimento emergencial após uma crise intensa de ansiedade, inicialmente confundida com AVC.

À época, Roberto Cidade negou todas as acusações, afirmou que nunca agrediu a ex-companheira e classificou os episódios como desentendimentos comuns de um relacionamento encerrado.

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