
O presidente da Colômbia, Abelardo de La Espriella, anunciou nesta quarta-feira (12) a criação de um fundo emergencial para reconstrução das áreas atingidas pelo terremoto de magnitude 7,4 que devastou regiões do país. A iniciativa deverá financiar a recuperação de hospitais, escolas, casas e estruturas públicas destruídas pelo tremor.
Em pronunciamento nacional, o presidente classificou a situação como uma “tragédia de proporções imensas” e afirmou que a prioridade do governo neste momento é localizar as aproximadamente 500 pessoas que continuam desaparecidas.
Segundo De La Espriella, o número de mortos chegou a 265, enquanto mais de 3 mil pessoas ficaram feridas. O governo também decretou emergência econômica para enfrentar os impactos provocados pelo desastre, embora ainda não tenham sido detalhadas todas as medidas previstas.
Buscas entram em momento decisivo
As equipes de resgate continuam trabalhando em diferentes regiões do país enquanto se aproxima o fim da janela considerada mais crítica para encontrar sobreviventes, de aproximadamente 72 horas após o terremoto.
Em Cali, uma das cidades mais afetadas, os trabalhos estavam concentrados em sete edifícios que ainda poderiam ter pessoas presas sob os escombros.
No complexo Torres del Limonar, moradores, soldados e funcionários públicos formaram correntes humanas para retirar destroços. Segundo integrantes das equipes de resgate, a restrição ao acesso de voluntários ajudou a diminuir ruídos e vibrações, permitindo que os equipamentos identificassem com maior precisão possíveis sinais de sobreviventes.
O risco de novos tremores também preocupa as equipes, principalmente em áreas onde grandes concentrações de pessoas permanecem próximas às estruturas danificadas.
Famílias aguardam notícias
Enquanto os trabalhos avançam, familiares continuam aguardando informações sobre pessoas desaparecidas e vítimas que ainda precisam ser identificadas.
Em Palmira, parentes se reuniram do lado de fora de um necrotério à espera da identificação dos corpos. Em alguns casos, exames de DNA estão sendo necessários para confirmar a identidade das vítimas.
Entre os atingidos está Santiago Lloreda, de 31 anos, que perdeu a mãe e a filha de apenas 13 meses durante o terremoto. A criança precisou passar por identificação genética devido à ausência de registro de impressões digitais.
Primeiro grande desafio do novo governo
O terremoto representa o primeiro grande desafio enfrentado pelo governo de De La Espriella, que assumiu a Presidência apenas três dias antes do desastre.
A resposta à tragédia também ocorre em meio a discussões sobre a capacidade financeira do governo para reconstruir as áreas atingidas. O presidente havia assumido o cargo com uma plataforma voltada à redução dos gastos públicos.
O ministro das Relações Exteriores, Omar Bula, negou que o governo tenha recusado ofertas internacionais de ajuda. Segundo ele, a Colômbia está coordenando a chegada de carregamentos de outros países, incluindo Peru, México e El Salvador.
Além dos danos às cidades, o terremoto também afetou a infraestrutura de transporte. Portos de Buenaventura chegaram a suspender operações temporariamente para que equipes avaliassem os impactos de deslizamentos em estradas, embora as exportações de café continuassem principalmente pelos portos do Caribe.







