
Colonos israelenses realizaram ataques contra aldeias palestinas na Cisjordânia ocupada durante a madrugada deste domingo (26), incendiando duas mesquitas e pichando edifícios, segundo autoridades palestinas. Os episódios ocorreram após um confronto registrado na sexta-feira (24), que terminou com a morte de quatro palestinos e dois israelenses, entre eles um coordenador de segurança de um assentamento.
De acordo com autoridades locais, os confrontos começaram quando um grupo de colonos israelenses, alguns armados, se aproximou da aldeia palestina de Tal, nas proximidades de Nablus. Moradores deixaram suas casas para confrontar o grupo, dando início ao conflito.
Enquanto autoridades palestinas afirmam que a violência foi provocada pelos colonos, as Forças Armadas de Israel informaram que houve disparos de ambos os lados.
Mesquitas foram alvo de incêndios
Em Qusra, no sudeste de Nablus, uma mesquita recém-construída foi incendiada durante a madrugada.
Segundo Abdel Azim Wadi, presidente do conselho da vila, o templo estava pronto para receber fiéis quando foi atacado.
Além do incêndio, os responsáveis deixaram pichações em hebraico nas paredes, incluindo mensagens como “vingança judaica” e o nome de um dos israelenses mortos no confronto ocorrido na sexta-feira.
Outro ataque foi registrado na vila de Kour, próxima à cidade de Tulkarm, onde colonos tentaram incendiar outra mesquita. De acordo com autoridades locais, fiéis conseguiram controlar as chamas antes que o fogo atingisse a estrutura principal do prédio.
Também houve relatos de ataques contra trabalhadores palestinos em uma pedreira na cidade de Kafr Malik, perto de Ramallah.
Autoridades trocam acusações
A Autoridade Palestina classificou os ataques como parte de uma campanha sistemática de violência contra palestinos na Cisjordânia.
Em comunicado, o gabinete do primeiro-ministro palestino afirmou que o chamado “terrorismo dos colonos”, com apoio do Estado israelense, estaria se intensificando em diversas regiões do território.
Já as Forças Armadas de Israel informaram que enviaram tropas às áreas atingidas, confirmaram sinais de incêndio criminoso e pichações e afirmaram que policiais foram mobilizados para coletar provas e identificar os responsáveis.
Os militares declararam ainda que condenam ataques contra locais religiosos e que continuarão atuando para manter a segurança e a ordem pública.
Prisões e aumento da tensão
Como parte da operação de segurança realizada durante o fim de semana, forças israelenses prenderam cerca de 60 palestinos, segundo o Clube dos Prisioneiros Palestinos, organização que acompanha pessoas sob custódia de Israel.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu determinou o reforço das operações de segurança na Cisjordânia após os confrontos de sexta-feira. Integrantes de seu governo, entre eles o ministro das Finanças Bezalel Smotrich, voltaram a defender a anexação da Cisjordânia por Israel.
Papa pede solução política
Também neste domingo, o papa Leão manifestou preocupação com o agravamento da violência na região e fez um apelo para que as negociações avancem em busca de uma solução política justa para o conflito.
O pontífice também pediu respeito ao status dos locais sagrados de todas as religiões e condenou ações que violem a liberdade religiosa.
A Cisjordânia permanece como um dos principais focos de tensão do conflito entre israelenses e palestinos. Enquanto a maior parte da comunidade internacional considera ilegais os assentamentos israelenses no território, Israel contesta esse entendimento e mantém a expansão dessas comunidades, posição rejeitada pelos palestinos, que reivindicam a região como parte de um futuro Estado independente.







