
Depois de passar 45 anos sem ter energia elétrica disponível durante as 24 horas do dia, o pescador Reinaldo de Oliveira, morador de Anori, no interior do Amazonas, agora pode contar com iluminação permanente em sua residência. Ele está entre os primeiros beneficiados pela retomada do programa Luz para Todos, que prevê 18.775 novas ligações de energia em 54 municípios amazonenses, com investimentos de R$ 785,8 milhões.
Em Anori, a iniciativa começou pela comunidade Murirú, onde foram instalados os primeiros sistemas individuais de energia solar. A previsão é atender outras 300 residências nos próximos seis meses, com investimento de aproximadamente R$ 15 milhões, segundo a Âmbar Energia, empresa responsável pela execução do programa no estado.
“Tenho 45 anos e é a primeira vez que tenho energia 24 horas. Só tenho a agradecer, porque agora tenho luz na minha casa”, comemorou Reinaldo.
O projeto utiliza placas fotovoltaicas e equipamentos de armazenamento de energia, permitindo que famílias residentes em comunidades afastadas tenham eletricidade mesmo em localidades onde a expansão da rede convencional não é considerada viável.
Energia solar chegará a 7.258 residências em 18 municípios
A implantação dos sistemas solares individuais representa uma das principais frentes do Luz para Todos no Amazonas.
De acordo com a Âmbar Energia, serão investidos R$ 362 milhões para realizar 7.258 ligações em 18 municípios, incluindo Anori.
A tecnologia permite produzir e armazenar eletricidade na própria residência, reduzindo a dependência de estruturas convencionais de distribuição em comunidades isoladas.
Além de garantir iluminação, o acesso à energia possibilita o funcionamento de geladeiras, ventiladores e outros eletrodomésticos, proporcionando melhores condições de armazenamento de alimentos e mais conforto às famílias.
Para o diretor de Operações da Âmbar Energia, Marney Antunes, a chegada da eletricidade representa uma mudança que ultrapassa os benefícios domésticos.
“A energia é uma transformação social. Nenhuma comunidade se desenvolve sem infraestrutura, e a energia elétrica é essencial para isso”, afirmou.
Moradores comemoram possibilidade de ter água gelada pela primeira vez
Na comunidade Murirú, a chegada da eletricidade já começa a transformar a rotina de famílias que conviviam com limitações no uso de equipamentos domésticos.
A agricultora Josiane Alves da Silva destacou uma mudança aparentemente simples, mas que representa uma conquista para quem passou anos sem acesso regular à energia.
“A gente nunca tomou uma água fria, mas agora a gente vai ter”, comemorou.
A dona de casa Andreia Mota também se emocionou ao falar sobre a instalação do sistema de energia solar em sua residência.
“A gente nem imaginava essa bênção na nossa vida, que é a Luz para Todos”, declarou.
Os relatos demonstram como a eletrificação de comunidades isoladas pode contribuir para melhorar as condições de vida de moradores do interior amazonense.
Rede convencional terá investimento de R$ 423,8 milhões
Além dos sistemas fotovoltaicos, o programa também contempla a expansão da rede convencional de distribuição de energia.
Essa frente prevê 11.517 novas ligações em 54 municípios, com investimento estimado em R$ 423,8 milhões.
A estratégia combina duas modalidades de atendimento: a extensão da rede elétrica nas localidades onde a infraestrutura pode ser ampliada e a instalação de sistemas solares individuais em comunidades mais afastadas.
Investimentos previstos no Amazonas
Investimento total
R$ 785,8 mi
Novas ligações
18.775
| Modalidade | Ligações | Investimento |
| Rede convencional | 11.517 | R$ 423,8 mi |
| Energia solar | 7.258 | R$ 362 mi |
| Total | 18.775 | R$ 785,8 mi |
Fonte: Âmbar Energia, conforme informações divulgadas no release.
Programa foi retomado após paralisação desde 2024
Segundo a Âmbar Energia, o Luz para Todos estava paralisado no Amazonas desde 2024 e voltou a avançar após a empresa assumir a concessão de distribuição de energia no estado, em maio de 2026.
Criado pelo governo federal, o programa tem como objetivo ampliar o acesso à eletricidade, especialmente entre famílias de baixa renda e moradores de comunidades rurais e isoladas.
No Amazonas, onde as grandes distâncias e as dificuldades logísticas representam obstáculos à expansão da infraestrutura elétrica, os sistemas solares individuais surgem como alternativa para alcançar residências distantes das redes de distribuição.
Com a retomada das instalações, a expectativa é que milhares de famílias passem a contar com fornecimento de eletricidade, ampliando as possibilidades de conservação de alimentos, comunicação, educação e atividades produtivas nas comunidades do interior.







