
Cerca de 48 horas após a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados a dois marqueteiros que atuaram em sua campanha eleitoral, a ex-candidata ao Governo do Amazonas Professora Maria do Carmo (PL) rompeu o silêncio neste sábado (31) e negou qualquer participação em ataques contra a família do governador eleito Omar Aziz (PSD), especialmente sua filha menor de idade. Em vídeo publicado nas redes sociais, a empresária afirmou estar “absolutamente tranquila”, declarou que desconhecia eventuais irregularidades e advertiu que não aceitará tentativas de atingir sua imagem por atos que afirma não ter cometido.
O pronunciamento ocorre em meio às investigações sobre possíveis violações de direitos protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que motivaram diligências policiais realizadas na quinta-feira (29), em Manaus e São Paulo, contra endereços associados aos profissionais de marketing Jefferson Coronel e George Wilde.
Maria do Carmo afirmou que tomou conhecimento das acusações somente após o segundo turno das eleições, realizado no domingo (25), quando foi derrotada por Omar Aziz. Segundo ela, os fatos ainda precisam ser esclarecidos e não podem ser utilizados para atribuir responsabilidades sem a devida apuração.
“Eu não patrocinei e jamais patrocinaria qualquer tipo de ataque contra a sua família, especialmente sua filha. Eu sou mãe, avó de nove netos, família é a minha base. Tenho certeza que ela tem que ser respeitada, a de todos”, declarou.
“Não existe controle pessoal do candidato sobre tudo que é produzido”, afirma Maria
Um dos principais pontos da manifestação foi a tentativa da ex-candidata de afastar sua responsabilidade por eventuais conteúdos irregulares produzidos ou divulgados por pessoas ligadas à campanha eleitoral.
Maria do Carmo argumentou que candidatos não conseguem acompanhar pessoalmente todas as publicações feitas por apoiadores e integrantes de suas equipes, especialmente nas redes sociais.
“Todos sabem que não existe controle pessoal do candidato sobre tudo que é produzido ou compartilhado em seu favor, especialmente em redes sociais. Se houve algum material irregular, ele não passou pelo meu conhecimento e muito menos pela minha concordância”, afirmou.
A declaração ocorre após a operação policial que teve como alvos endereços relacionados a dois profissionais responsáveis pela comunicação de sua campanha.
A ex-candidata ressaltou que não concordaria com qualquer conduta irregular eventualmente praticada por pessoas que trabalharam em sua candidatura.
“Qualquer erro de qualquer pessoa que tenha trabalhado na minha campanha não receberá a minha concordância jamais”, garantiu.
Maria declara solidariedade à família de Omar Aziz
Apesar das críticas feitas ao adversário durante a disputa eleitoral, Maria do Carmo afirmou que distingue os embates políticos de ataques à vida pessoal e familiar.
Ela declarou que continuará exercendo seu direito de criticar Omar Aziz como homem público, mas rejeitou qualquer envolvimento em ações direcionadas à família do governador eleito.
“Eu sempre critiquei, duramente inclusive, o homem público Omar Aziz. E vou continuar fazendo como cidadã”, disse.
Em seguida, manifestou solidariedade ao adversário, à esposa e aos filhos, defendendo que os responsáveis por eventuais irregularidades sejam identificados e punidos.
“Eu manifesto minha irrestrita solidariedade ao governador, sua esposa e seus filhos, com o desejo de que as denúncias sejam apuradas e os responsáveis punidos com rigor”, declarou.
“Não aceitarei nenhum tipo de abuso político”
Maria do Carmo também afirmou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e que sua defesa acompanha os desdobramentos do caso.
Advogada de formação, a ex-candidata disse confiar no Poder Judiciário e no respeito ao devido processo legal.
“Como advogada e conhecedora dos meus direitos e deveres, eu não poderia deixar de exercer o meu direito de defesa”, afirmou.
Ela acrescentou que não permitirá que as investigações sejam utilizadas, em sua avaliação, como instrumento de perseguição política.
“Estou absolutamente tranquila. […] Sempre estive e estarei sempre à disposição da Justiça para quaisquer esclarecimentos, mas não aceitarei nenhum tipo de abuso político e nem uma tentativa de atingir a minha imagem por algo que eu não fiz”, declarou.
A ex-candidata também lembrou que sua honra, seus familiares e a instituição de ensino que construiu foram alvos de críticas durante a campanha.
Segundo Maria, enfrentará as acusações com a mesma serenidade que afirma ter mantido durante a disputa eleitoral.
Polícia fez buscas em endereços ligados a marqueteiros em Manaus e São Paulo
Na quinta-feira (29), a Polícia Civil do Amazonas cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços associados a Jefferson Coronel e George Wilde, profissionais que participaram da campanha de Maria do Carmo ao Governo do Amazonas.
Em Manaus, uma das diligências ocorreu em um endereço no residencial Bellagio, localizado na Rua Maceió, bairro Adrianópolis, zona centro-sul da capital.
O imóvel está associado ao jornalista Jefferson Coronel, que integrou a equipe de marketing da candidata do PL.
Em São Paulo, os policiais realizaram diligências em endereço ligado ao publicitário George Wilde, responsável pela estratégia de comunicação eleitoral de Maria do Carmo.
A investigação envolve suspeitas de violações de direitos protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, relacionadas a ataques contra a filha menor de idade de Omar Aziz durante a campanha.
O cumprimento dos mandados não representa, por si só, comprovação de responsabilidade criminal dos investigados.
Omar Aziz anunciou medidas judiciais após vitória nas urnas
A operação ocorreu quatro dias depois de Omar Aziz anunciar que adotaria medidas judiciais contra pessoas que acusou de promover ataques à sua filha durante a campanha eleitoral.
Na noite de domingo (25), após a confirmação de sua vitória, Omar concedeu entrevista na sede do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e demonstrou indignação com os episódios envolvendo sua família.
Na ocasião, o governador eleito citou Maria do Carmo, Jefferson Coronel e Kellen Lopes entre as pessoas que pretendia responsabilizar judicialmente.
“O meu advogado, a partir de amanhã, vai entrar pedindo a prisão deles todos por descumprirem o Estatuto da Criança e do Adolescente. Eu quero eles na cadeia!”, declarou Omar.
O governador eleito afirmou que não aceitaria que ataques contra sua filha fossem tratados como parte normal de uma disputa política.
“Saber perder exige maturidade; saber vencer exige grandeza”
Ao encerrar o pronunciamento, Maria do Carmo agradeceu aos mais de 800 mil eleitores que votaram nela no segundo turno das eleições estaduais.
A candidata do PL recebeu 800.328 votos, equivalentes a 38,58% dos votos válidos, enquanto Omar Aziz foi eleito governador com 1.273.975 votos, ou 61,42%.
Maria afirmou respeitar o resultado das urnas e disse que continuará acreditando na política como instrumento de transformação social.
“Reconhecer o resultado das urnas faz parte da democracia. Saber perder exige maturidade; saber vencer exige grandeza!”, declarou.
A ex-candidata encerrou a mensagem reafirmando sua confiança nas instituições e na apuração dos fatos.
“A cada pessoa que me honrou com o seu voto, a minha gratidão. E fiquem tranquilos: a Justiça e a verdade vão prevalecer”, concluiu.







