O diretor geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues • Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado aprovou, nesta terça-feira (19), um requerimento de convite ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para prestar esclarecimentos sobre a troca do delegado responsável pelas investigações das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social.

O pedido foi apresentado pelo líder do Partido Liberal na Câmara, o deputado Sóstenes Cavalcante. Segundo o parlamentar, a substituição do delegado ocorreu em um “momento sensível” da investigação e levantou questionamentos sobre a continuidade das apurações.

“A troca gerou questionamentos especialmente quanto à continuidade das diligências, preservação das provas produzidas e autonomia das linhas investigativas em andamento”, afirma o texto do requerimento.

Por se tratar de um convite, Andrei Rodrigues não é obrigado a comparecer à comissão.

Investigação envolve fraudes bilionárias e citações a Lulinha

O inquérito investiga um esquema de fraudes bilionárias envolvendo benefícios do INSS e tramita no Supremo Tribunal Federal devido à presença de pessoas com foro privilegiado entre os investigados.

Em relatório sob sigilo, a Polícia Federal apontou supostos pagamentos feitos por Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a PF, os repasses teriam ocorrido por intermédio de uma amiga de Lulinha e poderiam indicar a existência de sociedade oculta. Tanto ele quanto os demais citados negam irregularidades.

Troca de setor gerou reação da oposição

A investigação deixou de ser conduzida pelo setor da Polícia Federal responsável inicialmente pelas diligências, incluindo o pedido de quebra de sigilo envolvendo Lulinha.

Agora, o caso está sob responsabilidade da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq), unidade especializada em investigações com tramitação no STF.

Em nota, a Polícia Federal afirmou que a mudança foi realizada para garantir maior eficiência na condução das apurações.

“A alteração foi concebida para assegurar maior eficiência e continuidade às investigações, uma vez que a Cinq possui estrutura permanente voltada justamente à condução de operações sensíveis e complexas com tramitação perante o STF”, informou a corporação.

PF diz que investigará “todos que tiver que investigar”

Em março, Andrei Rodrigues afirmou que a Polícia Federal investigaria “todos aqueles que tiver que investigar”, em referência às investigações envolvendo o banco Master, de Daniel Vorcaro, e o esquema de fraudes no INSS.

A fala ocorreu em meio ao avanço de operações que atingem empresários, operadores financeiros e pessoas ligadas ao chamado “andar de cima” da República.

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