
O Conselho de Paz ligado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou nesta quarta-feira (23), durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, um plano de US$ 2,45 bilhões, cerca de R$ 12,5 bilhões, para iniciar a reconstrução da Faixa de Gaza.
A proposta reúne 66 projetos voltados à recuperação da infraestrutura, da saúde, da moradia e da economia do território. A iniciativa, porém, ainda enfrenta incertezas diante das divergências entre Israel e Hamas sobre as condições de um cessar-fogo e sobre o desarmamento do grupo palestino.
O Conselho de Paz faz parte da estrutura criada a partir do plano de Trump para Gaza, que prevê uma administração transitória e mecanismos internacionais para coordenar a reconstrução do território. A proposta foi posteriormente respaldada pelo Conselho de Segurança da ONU.
Plano prevê recuperação de infraestrutura
Entre as medidas apresentadas estão a reparação de passagens de fronteira, a recuperação das redes de eletricidade e abastecimento de água, a instalação de 25 mil kits portáteis de energia solar e a remoção de estruturas que possam impedir projetos de reconstrução.
O plano também inclui recursos para moradias temporárias, remoção de escombros, recuperação de hospitais, retomada econômica e implantação de uma força internacional de estabilização, segundo informações sobre a proposta.
A estimativa apresentada pelo Conselho de Paz é de que os danos materiais em Gaza somem US$ 35,2 bilhões. Para uma reconstrução completa ao longo de aproximadamente uma década, seriam necessários cerca de US$ 71,4 bilhões.
Implementação depende de acordo sobre o cessar-fogo
Apesar da apresentação do plano, representantes envolvidos reconheceram que ainda existem obstáculos para sua execução.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a reconstrução seria um projeto de longo prazo e que sua implementação dependeria da colaboração das partes.
“Obviamente, trata-se de um projeto de longo prazo. Não é algo que possa ser realizado em seis meses. Mas, pelo menos, oferece esperança às pessoas. Mostra o futuro que as aguarda, caso todos façam a sua parte.”
As negociações continuam sendo afetadas por divergências relacionadas à retirada das tropas israelenses e ao desarmamento do Hamas.
Kushner defende continuidade da proposta
Jared Kushner, genro de Trump e um dos responsáveis pela elaboração do plano, reconheceu que houve atrasos em diferentes etapas da iniciativa.
Ao mesmo tempo, Kushner defendeu a posição de Israel de concluir sua operação militar caso o Hamas não aceite se desarmar.
“Estamos apenas refinando, afiando o machado, preparando-nos para o momento de derrubar a árvore. E esperamos que isso aconteça muito, muito em breve.”
A proposta atual é resultado de meses de elaboração e foi apresentada a representantes estrangeiros em Nova York. O plano ainda depende de condições políticas e de segurança para sair do papel.
Reconstrução ainda não começou
A reconstrução em larga escala de Gaza permanece limitada enquanto não há consenso sobre as condições de segurança e governança do território.
Em declaração recente, ministros de oito países árabes e islâmicos pediram a implementação das etapas previstas no plano de Trump e destacaram a necessidade de facilitar a entrada de ajuda humanitária e a recuperação da infraestrutura essencial.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também afirmou que Gaza e a Cisjordânia devem permanecer territorial e politicamente integradas e defendeu um processo que leve à autodeterminação palestina e à solução de dois Estados.
Para Nickolay Mladenov, principal enviado do Conselho de Paz para Gaza, o objetivo é promover uma reconstrução que ofereça novas condições de vida para palestinos e israelenses que vivem próximos à região.
“Queremos dar às pessoas uma nova chance e garantir que tanto os palestinos em Gaza quanto as comunidades israelenses que vivem do outro lado da fronteira tenham a oportunidade de deixar para trás o medo da violência que marcou suas vidas por tantos anos.”







