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O consumo frequente de carnes processadas, como bacon, salsicha e outros embutidos, foi associado a um risco maior de determinados tipos de câncer no estômago e no esôfago. A conclusão é de um estudo internacional que acompanhou mais de 450 mil pessoas durante aproximadamente 14 anos.

Os resultados, publicados no International Journal of Cancer, analisaram principalmente casos de adenocarcinoma, tumor que se desenvolve em células glandulares.

Segundo os pesquisadores, cada aumento de 30 gramas diárias de carne processada na alimentação esteve associado a um risco 9% maior de câncer gástrico e 13% maior de adenocarcinoma de esôfago.

A associação foi particularmente evidente para o subtipo intestinal do câncer gástrico.

Carnes processadas são produtos submetidos a procedimentos destinados a modificar o sabor ou aumentar a conservação, como cura, defumação e adição de conservantes.

Outros tipos de carne apresentaram resultados diferentes

A pesquisa não encontrou associação relevante entre o consumo de carne vermelha não processada e os tumores analisados.

Para a carne branca, os pesquisadores observaram uma relação específica entre as mulheres. O acréscimo de 20 gramas por dia no consumo esteve associado a maior ocorrência de câncer em determinadas regiões do estômago. O mesmo resultado não foi observado entre os homens.

Os autores consideram que diferenças na preparação dos alimentos e na forma como o organismo processa seus componentes podem estar relacionadas aos resultados, mas destacam que essas hipóteses ainda precisam ser investigadas.

No caso das carnes processadas, possíveis explicações incluem a maior ingestão de sal e a exposição a compostos formados durante o processamento ou preparo. Algumas substâncias produzidas em altas temperaturas também podem provocar danos celulares e ao DNA.

Estudo não comprova relação de causa e efeito

Apesar do grande número de participantes e do longo período de acompanhamento, a pesquisa é observacional. Portanto, os resultados mostram uma associação, mas não permitem concluir que o consumo de carne processada seja diretamente responsável pelo desenvolvimento desses cânceres.

Outra limitação é que os hábitos alimentares foram avaliados no início do estudo e podem ter mudado ao longo dos anos.

Ainda assim, os resultados reforçam evidências anteriores sobre a relação entre carnes processadas e risco de câncer. Os pesquisadores defendem novos estudos para compreender os mecanismos envolvidos e aprimorar as recomendações alimentares.

Com informações de Metrópoles

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